Em manifesto, Sport Unido acusa a gestão de Matheus Souto Maior e Kadico Pereira. O grupo, que perdeu por cerca de 50 votos, aponta problemas financeiros e exige transparência.
O clima político no Sport ganhou novos contornos nesta sexta-feira (7), com o grupo Sport Unido, liderado por Gustavo Dubeux, Eduardo Queiroz Monteiro, João Humberto Martorelli e Branquinho, divulgando um manifesto onde expressam uma série de críticas à gestão atual do clube, sob a responsabilidade de Matheus Souto Maior e Kadico Pereira.
📖 Leia Também
No documento, intitulado “Calou-se a sirene, disparou o alarme de incêndio”, o grupo discute a situação do clube após a derrota nas últimas eleições, onde perderam por uma margem de pouco mais de 50 votos. Apesar de reconhecer o resultado do pleito, o Sport Unido afirma que, desde então, tem colaborado com a administração vencedora em várias iniciativas, incluindo contribuições financeiras e intermediações de contato.
Entretanto, a preocupação com os rumos do clube é evidente. “Lealdade, porém, não é omissão”, diz o manifesto, ressaltando críticas relacionadas ao desempenho esportivo, à estrutura do departamento de futebol, à transparência e à situação financeira do Sport, além do projeto de modernização da Ilha do Retiro.
No que diz respeito ao futebol, o grupo critica a falta de uma vice-presidência específica para a área e a demora nas demissões dos técnicos Márcio Goiano e Roger Silva. Além disso, questionam a criação de um comitê para gerenciar o setor, apontando que a maioria dos integrantes carece de formação ou experiência na administração esportiva, o que vai de encontro à promessa de profissionalização.
Outra crítica abordada no manifesto é a política de contratações, onde o Sport Unido destaca a falta de prospecção no mercado sul-americano e uma tendência de contratar profissionais que já trabalharam com o executivo de futebol. A utilização das categorias de base também é alvo de crítica, sendo considerada inferior em relação a temporadas anteriores.
O manifesto também levanta questões sobre a transparência administrativa. O grupo aponta que o Portal da Transparência do Sport apresenta relatórios desatualizados ou ausentes, além da falta de informações sobre as movimentações de atletas e desligamentos de profissionais do clube.
A possível transformação do Sport em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) é outro ponto de preocupação. O Sport Unido afirma que não há evidências de que os procedimentos definidos no Estatuto do clube estejam sendo seguidos. Ademais, exigem avanços na captação de recursos para o projeto de retrofit da Ilha do Retiro, já aprovado pelo Conselho de Desenvolvimento Urbano (CDU) do Recife.
As críticas também se estendem ao preço dos ingressos e às mudanças nas condições dos sócios patrimoniais e titulares de cadeiras e camarotes. O grupo acredita que tais decisões têm contribuído para a média de público abaixo do esperado. O manifesto ainda exige um posicionamento da administração sobre tentativas de conselheiros de romper judicialmente o acordo do clube com a Liga Forte União.
Por fim, um dos pontos mais preocupantes abordados no documento diz respeito à situação financeira do clube. O Sport Unido se utiliza da negociação do jovem Zé Lucas para questionar as projeções orçamentárias feitas pela atual gestão, que previa R$ 40 milhões com a venda do jogador e mais R$ 10 milhões com outras transações. Apesar dessas expectativas, a projeção indicava um déficit de R$ 58 milhões ao final do ano.
O grupo argumenta que a negociação de Zé Lucas ocorreu abaixo do valor esperado e que as vendas de outros atletas não se concretizaram, levantando dúvidas sobre o impacto na necessidade de capitalização do clube. Eles caracterizam o cenário como “alarmante” e cobram a implementação de políticas eficazes para aumentar as receitas.
Ao final do manifesto, o grupo exige da diretoria informações e um planejamento claro para os próximos meses. “Por tudo isso, o Sport Unido cobra dos dirigentes as informações devidas e a apresentação de um plano concreto, à altura da grandeza do clube, ao menos até o fim do ano”, conclui o documento.





