Neste sábado, às 17h na Arena Pernambuco, o líder do Grupo A precisa de um empate para garantir o acesso à Série B. Santa Cruz soma 10 pontos (3V,1E) e o Maringá tem 7; Floresta e Botafogo-PB têm chances reduzidas.
Neste sábado, dia 3, às 17 horas, na Arena Pernambuco, o Santa Cruz, líder do Grupo A da Série C, e o Maringá, em segundo lugar, disputarão uma partida decisiva pelo acesso à Série B. Um empate levará o time pernambucano de volta à Segunda Divisão. O Santa Cruz soma dez pontos, com três vitórias, um empate e nenhuma derrota. O Maringá aparece com sete pontos. Floresta e Botafogo da Paraíba ocupam a terceira e a quarta posições, com chances mais escassas de acesso.
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No Grupo B, os favoritos para subir são a Ferroviária, o Inter de Limeira e o Brusque; o Paysandu já não terá chances. O confronto entre Santa Cruz e Maringá ganha dimensão além da competição: funciona também como um retrato de trajetórias administrativas e projetos de longo prazo no futebol brasileiro.
O Maringá, clube fundado em 2010, destacou-se por uma trajetória de organização antes da busca por investimento. A mudança de gestão teve início em 2016, quando um grupo de empresários locais assumiu o projeto e passou a implementar uma gestão empresarial. Em 2022 houve a transformação oficial em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Agora, o clube procura um investidor qualificado, de preferência internacional, para acelerar a etapa de crescimento, com a expectativa de um parceiro que participe de uma nova fase e não apenas solucione passivos.
“Sabemos do tamanho do Santa Cruz, da força dessa camisa e da importância de jogar na Arena Pernambuco, especialmente em um momento decisivo como este. Para o Maringá, é um confronto que representa muito, porque estamos brigando por um objetivo grande e contra um clube de enorme tradição.”
A ambição do Maringá é chegar à Série B e, a partir daí, estruturar condições para mirar patamares superiores do futebol brasileiro. A estratégia de formação de atletas aparece como peça-chave: o clube recebeu o Certificado de Clube Formador da Confederação Brasileira de Futebol e mantém categorias do Sub-9 ao Sub-17. A partir do Sub-14, os atletas contam com moradia, alimentação, acompanhamento escolar e assistência médica, fisioterapêutica, psicológica e odontológica.
A base passou a operar também como ativo esportivo e financeiro. Jogadores formados pelo Maringá foram negociados com clubes como Fortaleza, Vitória e Avaí, além de terem seguido para destinos na Coreia do Sul e no Japão. Nas temporadas de 2025 e 2026, 21 atletas ligados ao processo de formação do Maringá foram negociados com clubes de maior porte no Brasil. Um dos casos de maior projeção citado é o atacante Rômulo Cardoso, que passou pelo clube e atualmente defende o RB Leipzig, da Alemanha.
Na atualização de 7 de abril, Maringá, Floresta e Ferroviária figuravam entre os clubes da Série C com o Certificado de Clube Formador — a Ferroviária também estruturada como SAF.
Do lado do Santa Cruz, a transformação em SAF também avançou recentemente. A operação teve aprovação da cessão à Matix Capital dos direitos e obrigações que estavam nas mãos da Cobra Coral Participações, etapa necessária para a entrada do novo grupo de investidores. Na sequência, a Justiça autorizou um financiamento de até R$ 6,5 milhões, dos quais R$ 6 milhões serão destinados principalmente ao pagamento de compromissos com o elenco profissional.
A nova estrutura prevê 90% da SAF nas mãos dos investidores e 10% pertencentes ao clube associativo. O Arruda permanecerá sob controle do Santa Cruz e será cedido à nova empresa em regime de comodato. O projeto também prevê injeção de recursos e uma receita estimada em R$ 1 bilhão ao longo de 15 anos, como parte de uma aposta de longo prazo para enfrentar uma dívida na casa das centenas de milhões de reais e tentar transformar a crise financeira em ponto de partida para uma nova era.
Independentemente do resultado, Santa Cruz e Maringá farão um jogo cujos desdobramentos esportivos e institucionais terão ecos para o futuro das duas instituições.

