Na Justiça do Trabalho, dois processos somam cerca de R$ 385.067,19. Douglas Marques pede R$ 127.377,77 e Diogo Silva R$ 257.689,42; ambos chegaram em julho e saíram em 26/08 sem disputar jogos oficiais.
A sequência de derrotas da Ponte Preta extrapolou o campo e se transformou em crise jurídica e financeira. Em ações trabalhistas protocoladas no dia 25 de setembro, dois ex-jogadores acionaram a Justiça do Trabalho e cobram, juntos, aproximadamente R$ 385.067,19 do clube.
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O goleiro Douglas Marques requer R$ 127.377,77, enquanto o zagueiro Diogo Silva pede R$ 257.689,42. Ambos chegaram à Ponte em julho, integraram o elenco profissional e permanecem à disposição da comissão técnica até o dia 26 de agosto, mas não chegaram a disputar partidas oficiais.
As ações apontam que, apesar de atenderem à rotina de treinos e à subordinação ao clube, os dois atletas não foram registrados no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF devido aos transfer bans sofridos pela Ponte em razão de dívidas anteriores. Na visão da defesa dos jogadores, o registro esportivo não seria indispensável para o reconhecimento da relação de emprego, por haver prestação de serviço, subordinação e expectativa de remuneração durante o período em que permaneceram no Majestoso.
Os valores cobrados englobam salários, FGTS, férias, 13º salário proporcional, multa rescisória e a cláusula compensatória referente ao período restante dos contratos, que teriam validade até 30 de novembro.
Um dos pontos centrais das ações é o pedido de responsabilização pessoal do presidente Luiz Antônio Alves Torrano e do vice-presidente Marco Antônio Eberlin por eventuais débitos reconhecidos pela Justiça. Os advogados dos jogadores sustentam que há indícios de gestão irregular ou temerária que poderiam autorizar a responsabilização de administradores.
Eberlin presidiu a Ponte entre 2022 e 2025 e, segundo os autos, atualmente ocupa os cargos de vice-presidente e diretor de futebol. Torrano assumiu a presidência em dezembro do ano passado. A inclusão dos dirigentes nas ações não significa que já foram condenados ou que terão de pagar as cobranças com recursos próprios: o pedido será analisado pela Justiça após apresentação de defesa.
Para fundamentar a tentativa de atingir o patrimônio dos dirigentes, as ações citam um déficit superior a R$ 33 milhões no exercício de 2025, atrasos no recolhimento de encargos, salários pendentes e paralisações realizadas pelo elenco profissional. Também é mencionado um compromisso de controle orçamentário firmado por Eberlin em setembro de 2025, relacionado ao cumprimento de obrigações no Regime Centralizado de Execuções.
A dimensão da crise aparece nos números: uma certidão do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região registra 210 processos contra a Ponte desde 2022. Somente em 2026, até 24 de setembro, foram contabilizadas 55 novas ações, uma média de aproximadamente uma a cada cinco dias.
Por meio de seu departamento jurídico, a Ponte informou que ainda não havia sido formalmente citada ou intimada sobre as ações e que analisará os processos e adotará as medidas necessárias para sua defesa quando tiver acesso oficial aos autos.
O cenário descrito pelas ações ilustra um ciclo em que a dificuldade de pagamento gera punições e impedimentos para registrar reforços, o que por sua vez pode provocar novas reclamações trabalhistas. Se a tese apresentada pelos jogadores prosperar, a cobrança poderá deixar de estar restrita ao CNPJ do clube e atingir diretamente quem ocupou posições de comando.
