Filho de refugiados da guerra dos Bálcãs, o atacante Haris Tabakovic trocou a Suíça pela Bósnia e Herzegovina. Uma história de identidade, raízes e superação dentro e fora dos gramados.
Haris Tabakovic, atacante da seleção da Bósnia e Herzegovina, é mais um exemplo de superação e identidade. Filho de imigrantes que deixaram a Bósnia durante a devastadora guerra dos anos 90, ele nasceu na Suíça, mas optou por defender seu país de origem no futebol.
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A história da família Tabakovic começou em um dos períodos mais sombrios da história dos Bálcãs. Com a dissolução da Iugoslávia e a luta pela independência da Bósnia em 1992, a família fugiu para a Suíça. Haris, que tinha apenas 30 anos, enfrentou o desafio de recomeçar em um novo país, onde não falava o idioma. O atacante relembra:
“Ir para um país onde você não fala o idioma, abrir mão de tudo com uma criança pequena e um bebê a caminho, mesmo tendo estudado e tido sua própria empresa, é algo indescritível. Sou infinitamente grato por isso.”
Em meio às dificuldades, Tabakovic conseguiu iniciar sua carreira no futebol suíço enquanto trabalhava como aprendiz em um banco. Ele recorda a rotina intensa que enfrentava:
“Chegava ao trabalho de terno às oito da manhã, sempre um dos primeiros. Depois, corria para casa, trocava de roupa, preparava o sanduíche da minha mãe e pegava o trem para Berna. Chegava em casa por volta das dez da noite.”
Você pode gostarPatrocinado · MGIDApesar dos esforços, o sucesso não veio na Suíça. O atacante, que possui 1,96 m de altura, passou por diversas equipes na Hungria até se estabelecer no modesto Austria Lustenau. Após um período sem clube, ele considerou voltar à carreira bancária, mas decidiu continuar no futebol, o que o levou a se destacar e, posteriormente, a jogar pelo Austria Viena.
Tabakovic não parou por aí. Ele teve passagens pelo futebol alemão, defendendo equipes como Hertha Berlin e Hoffenheim, e atualmente atua pelo Borussia Mönchengladbach, onde já marcou 13 gols em 32 partidas.
Em 2023, Haris decidiu solicitar a troca de nacionalidade no futebol. Embora tenha jogado pela seleção suíça nas categorias de base, ele não foi convocado para a seleção principal e fez a escolha de representar a Bósnia em campo. Com a seleção, já atuou em dez partidas e balançou as redes quatro vezes. Na primeira rodada da Copa do Mundo, a Bósnia empatou em 1 a 1 com o Canadá, e hoje, 18 de junho, enfrentará a Suíça novamente, às 16h, em Los Angeles.
A agenda da Bósnia na Copa do Mundo segue marcada pelas emoções e a esperança de um bom desempenho. No dia 24 de junho, a equipe enfrentará o Catar, às 16h, no Seattle Field.



