Relatos apontam que o atacante recebeu garantias sobre sua utilização na seleção e se sentiu prejudicado quando elas não foram respeitadas. A frase 'Se ele quiser voltar, voltará' alimenta a polêmica.
O jornalista Piers Morgan revelou detalhes sobre a crise entre Cristiano Ronaldo e o treinador Jorge Jesus na seleção de Portugal, afirmando que o atacante recebeu garantias sobre a forma como seria utilizado e que tais acordos foram descumpridos pelo técnico.
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“Se ele quiser voltar, voltará”
Essa declaração de Jorge Jesus, citada no material original, aparece no contexto da polêmica entre treinador e atleta. Segundo Piers Morgan, as garantias dadas a Cristiano Ronaldo pesaram na decisão do jogador de continuar defendendo a seleção portuguesa.
“Foram dadas garantias absolutas da forma como ia ser usado. Foi uma das razões pelas quais decidiu continuar a carreira na seleção. Na Liga das Nações, Jorge Jesus disse que Ronaldo ia jogar os dois primeiros jogos e descansar os dois seguintes.”
Segundo Morgan, o planejamento previa que Cristiano Ronaldo atuaria nos dois primeiros compromissos da Liga das Nações e teria folga nas duas partidas seguintes. Morgan relatou que, na partida contra o País de Gales, Ronaldo tinha a garantia de disputar os 90 minutos, mas foi substituído aos 67, episódio que teria deixado o atacante contrariado.
“O treinador pediu desculpa ao Cristiano, pediu desculpa ao presidente, e disse que ia explicar, para as pessoas, que tal não devia ter acontecido.”
O pedido de desculpas ao jogador e ao presidente da Federação Portuguesa, Pedro Proença, foi mencionado por Morgan como parte da reação de Jorge Jesus ao corte de tempo de jogo. Ainda segundo o jornalista, antes do jogo contra a Noruega o treinador teria comunicado a Cristiano Ronaldo que ele jogaria cerca de 30 minutos; o jogador teria aceitado a indicação, foi ao aquecimento, mas permaneceu no banco durante toda a partida.
O episódio no banco teria elevado o descontentamento de Cristiano Ronaldo. Morgan relatou também que, posteriormente, o atacante deixou a concentração da seleção portuguesa após uma conversa com Pedro Proença.
“Para ele (Cristiano Ronaldo), trata-se de uma questão de respeito: prometeram-lhe uma coisa, fizeram o oposto. O treinador continuou a ir para as conferências de imprensa dizer o oposto do que combinava em privado.”
O jornalista ressaltou que, na visão dele, o conflito não teria como cerne a exigência de ser titular em todas as partidas ou permanecer em campo os 90 minutos, mas sim a diferença entre entendimentos privados e o discurso público adotado pelo treinador.
“Não foi por isso que ele bateu com a porta, como ficará claro assim que falar sobre o assunto.”
Morgan também contestou versão publicada por outro veículo, que atribuía a saída da concentração a uma conversa sobre a primazia das necessidades da equipa. Em sua narrativa, a motivação estaria ligada ao cumprimento das garantias que, segundo ele, foram dadas a Cristiano Ronaldo.



