O Comitê de Apelação da Fifa rejeitou, nesta segunda-feira, 6, o recurso da Federação Real Belga de Futebol (RBFA) contra a liberação do atacante americano Folarin Balogun para a partida das oitavas de final da Copa do Mundo, que ocorrerá em Seattle. Com essa decisão, o jogador permanecerá em campo horas antes do confronto contra a Bélgica.
O imbróglio teve início na vitória dos Estados Unidos sobre a Bósnia e Herzegovina, com o placar de 2 a 0, na fase de 16 avos de final. Na ocasião, Balogun foi expulso pelo árbitro brasileiro Raphael Claus, após revisão do VAR, por um pisão acidental no tornozelo de Tarik Muharemović. De acordo com o regulamento da Copa do Mundo, especificamente o Artigo 10.5, a expulsão resultaria em uma suspensão automática para a próxima partida. O técnico americano, Mauricio Pochettino, minimizou a situação logo após o jogo, afirmando que, para ele, “nunca é cartão vermelho” em uma disputa normal de bola.
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A Fifa, no entanto, optou por não aplicar a suspensão automática, invocando o Artigo 27 de seu Código Disciplinar, que permite a suspensão da execução de uma punição. Com base nesse dispositivo, o comitê considerou a expulsão excessivamente rigorosa e impôs a Balogun um período probatório de um ano: o cartão vermelho ficará registrado, mas a suspensão da partida foi congelada. Essa medida é considerada rara na história do torneio.
A reação da Bélgica e de outros setores do futebol foi imediata. A RBFA classificou a decisão como incompatível com o regulamento da Copa e solicitou explicações formais à Fifa. Como não recebeu a justificativa, a federação apresentou um recurso, que a entidade tratou como apelação. O técnico Rudi Garcia ironizou a situação, dizendo que pensou que fosse “o primeiro de abril” ao tomar conhecimento da decisão. A Uefa também se manifestou, chamando a medida de “incompreensível e injustificável”. O ex-presidente da Fifa, Sepp Blatter, comentou nas redes sociais que cartões vermelhos não devem ser revertidos por “telefonemas políticos”.
Poucas horas antes da partida, a Fifa considerou o recurso “inadmissível”, argumentando que a RBFA não é parte do processo disciplinar original, que envolve apenas o atleta, a federação dos Estados Unidos e a arbitragem da partida anterior. Por não integrar diretamente essa relação processual, a Bélgica não teria legitimidade para recorrer. A federação belga anunciou que disputará a partida “sob protesto” e não descartou a possibilidade de recorrer ao Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) após o jogo.
O caso também ganhou repercussão política, uma vez que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou ter contatado pessoalmente o presidente da Fifa, Gianni Infantino, solicitando a revisão da suspensão. Trump afirmou a jornalistas que não acreditava que a falta cometida fosse digna de cartão vermelho e admitiu que não tinha conhecimento do que era um cartão vermelho. Em suas redes sociais, agradeceu à Fifa por “reverter uma grande injustiça”. Infantino, por sua vez, confirmou a conversa, mas reiterou que os órgãos judiciais da Fifa são “independentes” e operam de forma autônoma.
Com a suspensão congelada, Balogun, artilheiro da seleção americana nesta Copa, com 3 gols, entrará em campo hoje à noite em Seattle. As equipes terão a responsabilidade de decidir a disputa dentro de campo, enquanto o episódio continua a ser um dos principais focos de controvérsia do torneio.

