Jogador se apegou à religião e à família para suportar a tensão do processo de acusação de envolvimento com apostas; defesa cara e confiança em advogados britânicos foram cruciais para o veredito.
Atrás do alívio e da comemoração pela absolvição, anunciada na última quinta-feira, 31, Lucas Paquetá viveu quase dois anos de uma intensa montanha-russa psicológica. Desde que a acusação de envolvimento com apostas esportivas veio a público, em agosto de 2023, o jogador do West Ham recorreu à fé, ao apoio incondicional da família e a uma custosa defesa jurídica, que ultrapassou a marca de R$ 5 milhões, para provar sua inocência.
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Fontes próximas ao jogador revelam que o período foi de extrema ansiedade. Um dos momentos mais emblemáticos dessa tensão foi o choro em campo após receber um cartão amarelo no jogo contra o Tottenham, em maio deste ano. Naquela altura, o julgamento perante a comissão independente da Federação Inglesa (FA) já havia terminado, mas a demora de três meses para o anúncio do veredito aumentava a angústia. Paquetá optou por não procurar ajuda psicológica, mergulhando na religião como seu principal refúgio, compartilhando frequentemente trechos bíblicos nas redes sociais como forma de reagir aos memes e ofensas online.
A defesa do jogador foi totalmente entregue ao renomado escritório de advocacia britânico “Level”. A estratégia foi custosa, com um gasto estimado de 700 mil libras (cerca de R$ 5,2 milhões), valor que o West Ham ajudou a cobrir parcialmente. A confiança na equipe jurídica se mostrou acertada. Desde o início de maio, os advogados já sinalizavam otimismo, baseados na falta de provas irrefutáveis por parte da FA, que pedia o banimento do jogador, tornando o julgamento um caso de “tudo ou nada”: o fim da carreira ou a liberdade total.
A notícia da absolvição chegou a Paquetá na quinta-feira, em Chicago, onde realiza a pré-temporada com o West Ham nos Estados Unidos. O jogador ficou visivelmente emocionado e, segundo pessoas próximas, seu único desejo agora é “recuperar o tempo perdido”. As questões legais, como um possível pedido de restituição de parte dos custos junto à FA, ficaram a cargo dos advogados.
Livre das acusações, o futuro de Lucas Paquetá volta a ser promissor. A expectativa é que o interesse do Manchester City, que recuou na transação em 2023 por conta do processo, seja reaceso. O West Ham estipulou o preço do meia entre 50 e 60 milhões de libras. Além disso, seu retorno à Seleção Brasileira para os jogos de setembro contra Chile e Bolívia é dado como praticamente certo, a um ano da Copa do Mundo.
