Brasileiro está apreensivo com menos minutos e possibilidade de atuar como ala, caso similar ao de Pedro Neto. Não há indicação de saída nem crise com Xabi Alonso; é preocupação no início da temporada.
A notícia sobre a preocupação de Estêvão com seu espaço no Chelsea merece leitura atenta. O brasileiro estaria receoso de ter menos minutos com Xabi Alonso e, principalmente, de acabar sendo deslocado para a função de ala, como ocorreu com Pedro Neto. Isso não significa que o jogador tenha decidido deixar o clube, tampouco que exista uma crise entre ele e o treinador. É, antes de tudo, o retrato de uma apreensão neste começo de temporada.
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O cenário tático ajuda a entender a apreensão. O treinador espanhol iniciou seu trabalho utilizando o 3-4-2-1, com Cole Palmer e Morgan Rogers por dentro e João Pedro referência ofensiva. Foi essa formação que começou a Premier League contra o Fulham, com os três jogadores marcando na vitória por 3 a 2, e diante do Brighton, no triunfo por 4 a 3. Nas duas primeiras rodadas, portanto, não é difícil imaginar por que o estafe de Estêvão olha para o cenário e faz contas.
Palmer é a principal referência técnica dos Blues e recebeu do treinador liberdade para atuar por dentro. Rogers, por sua vez, foi contratado justamente para ser peça importante nesse modelo e chegou como o maior investimento da história do clube. Nesse contexto, Estêvão ser reserva no começo do trabalho não é surpresa. Além disso, há um aspecto físico recente que pesa: o atacante passou por uma lesão muscular grave na coxa direita, sofrida em abril, que o afastou por cerca de três meses e o tirou da Copa do Mundo.
Por isso, seria injusto transformar os primeiros minutos da temporada em um diagnóstico definitivo sobre seu espaço no Chelsea. Estêvão entrou nos minutos finais contra o Fulham, foi titular na Copa da Liga diante do Luton Town e participou diretamente do gol que fechou a vitória por 2 a 0, e não saiu do banco contra o Brighton. Esses dados mostram uma fotografia limitada de um projeto que ainda está sendo montado.
A resistência do jogador à hipótese de virar ala faz sentido se considerarmos suas características. A posição exige capacidades de lateral e atacante ao mesmo tempo: trabalho defensivo, volume de deslocamentos e cobertura de corredor. Estêvão tem vantagem no desequilíbrio individual, na aceleração, na capacidade de receber aberto e atacar no um contra um, além da habilidade para conduzir a bola para dentro. Transformá-lo em um jogador responsável por controlar todo um corredor seria uma mudança maior do que simplesmente alterar sua posição no desenho tático.
Em suma, a preocupação do jogador pode ser legítima sem que a hipótese em si esteja comprovada. Trata-se de um cenário inicial de temporada, com variáveis táticas e físicas que ainda podem evoluir nas próximas semanas.
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