O vice-presidente do Corinthians, Armando Mendonça, reuniu a imprensa nesta quarta-feira para contestar a suspeita de desvio de 131 peças fornecidas pela Nike ao clube. Ele afirmou que não administra os almoxarifados do CT Joaquim Grava nem do Parque São Jorge e garantiu que não se beneficiou dos materiais.
De acordo com Mendonça, documentos internos mostram que 84 dos 131 itens apontados não foram retirados por ele; 62 sequer teriam saído dos depósitos do Corinthians. “Retirei 47 peças, todas para fins institucionais, o que representa, em cinco meses, média de cinco por mês”, declarou, exibindo e-mails e requisições assinadas.
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Pedido de auditoria externa
O dirigente classificou o relatório de auditoria como “falho” e disse ter solicitado ao clube a contratação de uma análise independente. “Se uma auditoria externa especializada provar que desviei um único grampo, renuncio no dia seguinte”, afirmou.
Mendonça também negou ter requerido 170 camisas, número citado no documento interno, e disse ter retirado apenas cinco peças em duas partidas para ações de relacionamento. Sobre oito camisas comemorativas da NFL, explicou ter pedido a separação para presentear colaboradores, mas suspendeu a retirada enquanto o processo de auditoria estivesse em curso.
Criticas ao processo
O vice-presidente reclamou por não ter sido ouvido pelos auditores e disse ter recebido o material apenas em 7 de novembro. Ele negou qualquer ameaça ao diretor de tecnologia Marcelo Munhoes, responsável pelo levantamento, e refutou suposto impedimento a entrevistas com representantes da Nike.
Segundo Mendonça, o relatório não cita uniformes recebidos pelo setor de TI a pedido do próprio Munhoes, entre eles seis camisetas, uma mochila e uma camisa autografada. O dirigente ainda alegou que, a pedido do presidente Osmar Stábile, organizou a transferência de novas terceiras camisas do CT para a sede social após questionamentos sobre a qualidade do lote – movimento que, segundo ele, ficou sem registro fiscal, mas não constituiu desvio.
Inquérito em andamento
A Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (Drade) investiga o caso a pedido do Ministério Público de São Paulo. Mendonça prestou depoimento na terça-feira, 15, quando entregou a mesma documentação exibida aos jornalistas.
O vice-presidente ressaltou que, desde a posse de Stábile, cobrou melhorias no departamento de tecnologia, inventário completo de estoque e implantação de sistema para lançar notas fiscais. Ele disse ainda ter determinado que todo material utilizado nos jogos retorne ao almoxarifado para reforçar o controle.

