Mirandinha, o primeiro brasileiro a atuar na Inglaterra em 1987, é atualmente treinador das categorias de base do Genus, de Rondônia. O clube entra em campo nesta quarta-feira (9) pela Copa do Brasil Sub-20, quando vai enfrentar o São Raimundo-RR às 20 horas pela primeira fase da competição.
Contratado pelo Newcastle por 900 mil dólares na década de 1980, Mirandinha recorda as condições salariais da época e faz comparação com os valores da atualidade na liga inglesa. Na passagem pelo futebol inglês ele recebia sete mil libras por semana, valor que hoje é pequeno diante das cifras pagas a grandes nomes do futebol mundial e mesmo a atletas brasileiros na Premier League.
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“Hoje é salário de Sub-20 na Inglaterra. O Bruno Guimarães ganhava 160 mil libras por semana no Newcastle. Você vê a disparidade. Os números são muito além do que eu ganhei na época.”
Mirandinha atuou duas temporadas pelo Newcastle, com 60 partidas e 21 gols pelo clube inglês. A vinda ao futebol europeu surgiu depois de destaque em jogos contra seleções como Inglaterra e Escócia, momentos em que passou a atrair olhares do clube inglês.
“A minha ida foi até para mim surpresa. Eu vinha pensando em jogar na Europa, mas surgiu possibilidade a partir de um aluno de intercâmbio, filho de um conselheiro do Palmeiras. Ele levava fitas de jogos, recortes de jornais. Eu fui convocado para a Seleção principal, já sob olhares do Newcastle. Fui escolhido melhor em campo contra Inglaterra e Escócia, o interesse cresceu muito e eles fecharam negócio. Fui com toda mordomia do clube, bangalô para morar com a família, com gramado em casa para os meus filhos.”
Apesar da experiência positiva no Newcastle, Mirandinha admite arrependimento por um retorno por empréstimo ao Palmeiras em meados de 1989, quando ainda tinha contrato com o clube inglês. Ele destaca que recusou uma proposta de cinco anos para permanecer no Palmeiras com a esperança de disputar a Copa de 1990, objetivo que não se concretizou.
“Me ofereceram contrato de cinco anos para eu retornar, e eu neguei o Newcastle para seguir no Palmeiras sonhando com a Copa de 1990, que não aconteceu. Fui hiper desvalorizado. Não joguei a Copa e, do Palmeiras, fui para Portugal sem brilho. Começou ali minha caminhada para encerrar a carreira.”
Aos 67 anos, Mirandinha está há cinco meses no Genus. Ele afirma ter 30 anos de carreira como treinador e diz ter aceitado o convite para trabalhar na base do clube por acreditar no projeto. Antes de chegar a Rondônia, realizou trabalho no 4 de Julho e recebeu convite do filho para um projeto de formação de talentos no interior de São Paulo.
“Eu sou treinador há 30 anos. Hoje eu dirijo o Genus de Porto Velho através do convite de um amigo para fazer um trabalho na base. Resolvi vir para Rondônia por acreditar no projeto do clube. Fiz o último trabalho no 4 de Julho. Meu filho me convidou para o projeto no interior de São Paulo com formação de talentos e disputa as categorias de base e só há cinco meses estou em Rondônia.”
Além de acompanhar o trabalho no Genus, Mirandinha acompanha a Premier League e elogia jogadores brasileiros no exterior. Ele aponta admiração por Igor Thiago, do Brentford, e por Vitor Roque, do Palmeiras, ressaltando semelhanças entre os estilos de jogo desses atacantes e o seu próprio estilo quando atuava.
Igor Thiago está no Brentford desde a temporada 2024/2025, com 52 jogos e 26 gols pelo clube. Vitor Roque integra o Palmeiras desde 2025, com 87 jogos e 27 gols. Mirandinha diz acompanhar partidas do Newcastle sempre que possível e reconhece a gratidão pelo carinho recebido durante sua passagem pelo clube inglês.


