O Vasco encerrou o ciclo de Renato Gaúcho no comando técnico do clube. Declarações polêmicas sobre jogadores colombianos e equatorianos estopim da crise que culminou na demissão.
Renato Gaúcho não é mais o técnico do Vasco. Antes do retorno do calendário de jogos, a pressão sobre o treinador resultou em sua saída do cargo, que começou com problemas de relacionamento com o elenco e se estendeu até a direção do clube.
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Declarações recentes de Renato causaram desconforto entre os jogadores. Um dos incidentes mais significativos ocorreu quando o técnico comentou sobre o desempenho do atleta Marino Hinestroza, afirmando que jogadores colombianos e equatorianos enfrentam dificuldades de adaptação ao futebol brasileiro. Essa fala gerou incômodo entre os quatro jogadores colombianos do elenco: Marino, Andrés Gómez, Cuesta e Rojas, além de não ser bem recebida pelos demais integrantes do grupo, que mantinham boas relações com o quarteto.
Além disso, outros jogadores expressaram descontentamento com as colocações de Renato em entrevistas coletivas. O técnico frequentemente pedia reforços e criticava a falta de opções no banco, além de realçar o início ruim do Vasco no Campeonato Brasileiro, com apenas um ponto conquistado nas quatro primeiras rodadas antes de sua chegada.
Após a derrota para o Corinthians, por 1 a 0, fora de casa, onde o time teve um jogador a mais durante todo o segundo tempo, Renato se isentou de culpa. Ele afirmou:
“O que eu poderia fazer eu fiz. Se você for ver com quantos atacantes nós terminamos o jogo… Entrar em campo eu também não posso, né? Eu fiz a minha parte, mas infelizmente a gente não conseguiu fazer o gol de empate.”
O comportamento de Renato também foi questionado após a derrota para o Bragantino, em casa, por 3 a 0, no dia 24 de maio. Durante a partida, o treinador fez gestos para a torcida após ser xingado e, depois do jogo, ao ser hostilizado, fez sinal de positivo, o que gerou mais críticas. No vestiário, visivelmente irritado, ele chegou a oferecer seu cargo. Com medo de que Renato pedisse demissão na coletiva, o clube optou por enviar apenas o diretor Admar Lopes e o capitão Thiago Mendes para a sala de entrevistas.
As comparações entre o trabalho de Renato e o de seu antecessor, Fernando Diniz, se tornaram frequentes. Diniz era conhecido por blindar o elenco e assumir a responsabilidade em momentos difíceis, enquanto Renato deixou os jogadores expostos com suas declarações e atitudes à beira do campo. Além disso, a diferença nos métodos de treino entre os dois técnicos foi notada logo nas primeiras sessões. Enquanto Diniz focava em detalhes técnicos e posicionamento, os treinos de Renato eram considerados mais simples e genéricos, priorizando atividades coletivas.
Apesar de Renato ter inicialmente melhorado o ambiente do clube, o clima positivo não resistiu às derrotas e a suas declarações. A avaliação interna aponta que o técnico acabou por perder parte do grupo, com apenas alguns jogadores, como Thiago Mendes e Hugo Moura, mantendo uma relação próxima com ele.
Desde a chegada de Renato, já se especulava que sua permanência à frente do Vasco não seria longa. O treinador havia demonstrado resistência em aceitar a proposta do clube no início das negociações, mas acabou convencido pela diretoria.
O Vasco ainda não se reapresentou nos treinamentos, o que está previsto para acontecer na próxima segunda-feira. O time terá quatro semanas de preparação até seu próximo jogo, marcado para o dia 22 de julho, contra o Independiente Medellín, fora de casa, na primeira partida dos playoffs da Sul-Americana. No final de semana seguinte, o time receberá o Mirassol pelo Campeonato Brasileiro, onde ocupa a 17ª posição, dentro da zona de rebaixamento.



