Michel Kuka Mboladinga para o tempo nas arquibancadas para homenagear Patrice Lumumba. Vestido com as cores do Congo, ele aponta o dedo ao céu durante jogos inteiros. Epidemia de ebola ameaça presença do ícone no duelo desta terça contra Portugal.
Quem já assistiu a um jogo de futebol do Congo notou a presença marcante de um torcedor icônico durante as transmissões. Michel Kuka Mboladinga, vestido com as cores da bandeira congolense e com a mão apontada para o céu, ficou imóvel durante toda a partida, prestando uma homenagem ao herói nacional Patrice Lumumba.
📖 Leia Também
Infelizmente, devido a restrições impostas pela epidemia de ebola, Mboladinga não conseguiu chegar a tempo da partida contra Portugal, que ocorrerá hoje, 17 de junho, às 14h (de Brasília). Contudo, sua presença é esperada em jogos futuros da seleção congolense na Copa do Mundo de 2026.
A pose de Mboladinga é uma reprodução da imagem de Patrice Lumumba, que foi uma figura chave na luta pela independência da República Democrática do Congo e um dos principais nomes do movimento anticolonialista na África. O Congo enfrentou um dos períodos coloniais mais violentos, resultando em mais de 10 milhões de mortes de congoleses entre os séculos XIX e XX, sob o domínio belga.
Durante o domínio colonial, a exploração da população local e o trabalho forçado eram comuns, e as forças belgas frequentemente puniam os nativos severamente, incluindo a mutilação, caso não conseguissem atender às exigências de trabalho. Nesse contexto, Lumumba emergiu na década de 1940 como líder do Movimento Nacional Congolês (MNC), tornando-se a voz principal pela independência do Congo.
Em 1960, o país finalmente conquistou sua independência, e Lumumba assumiu o cargo de Primeiro-Ministro. No entanto, seu governo foi curto. Em meio à Guerra Fria, ele enfrentou desconfiança por parte das potências ocidentais e foi deposto por um golpe militar liderado pelo coronel Joseph Mobutu, que se tornaria ditador nas três décadas seguintes. Investigações posteriores revelaram um possível envolvimento de autoridades belgas e da CIA na conspiração que resultou na queda de Lumumba.
Após sua deposição, Lumumba foi executado em 1961, e seu corpo foi dissolvido em ácido para evitar que seu túmulo se tornasse um local de peregrinação política. O assassinato de Lumumba o transformou em um herói nacional, sendo reverenciado como um símbolo da luta contra o colonialismo na África.

