Tiffany Abreu, oposta do Osasco, criticou a decisão da CBV que segue a política do COI e proíbe mulheres trans. Falou após a estreia, derrota por 3-2 para o Pinheiros em 15/08/2026, e afirmou que o vôlei é sua vida.
Após o anúncio da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) sobre a adoção da política do Comitê Olímpico Internacional (COI) que proíbe a participação de mulheres trans em competições, a oposta Tiffany Abreu, do Osasco, se manifestou pela primeira vez. A declaração ocorreu após a derrota do time por 3 sets a 2 para o Pinheiros na estreia do Campeonato Paulista, realizada no dia 15 de agosto de 2026.
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O momento da carreira de Tiffany
Tiffany, que está com 41 anos e provavelmente se encontra em sua última temporada, expressou sua indignação em relação à nova diretriz da CBV. Ela afirmou:
“O voleibol é minha vida, meu trabalho. A CBV está tirando de mim tudo o que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que venho exercendo todos esses anos. Não comecei ontem. Isso não afeta somente a mim. Afeta meu clube, a torcida, patrocinadores, as pessoas que se inspiram em mim, o direito de todas as pessoas trans.”
O impacto do novo regulamento
A jogadora também comentou sobre o impacto do regulamento:
“É um enorme retrocesso na luta pelo reconhecimento e inclusão de todas as pessoas no esporte. Voltamos para uma forma vexatória, como se testavam as atletas nos anos 60 e 70. Estamos em 2026. Não podemos ter esse retrocesso jamais.”
Apesar das novas regras que começam a valer para a Superliga A e B e outras competições a partir da temporada 2026/27, a Federação Paulista de Voleibol (FPV) esclareceu que a competição do Campeonato Paulista, iniciada em 14 de agosto, segue as normas anteriores e, portanto, Tiffany está autorizada a participar.
A CBV justificou que a nova política exige que jogadoras apresentem teste genético com resultado negativo para o gene SRY, que está associado ao desenvolvimento masculino. A recusa em realizar a triagem não será considerada infração, mas as atletas que não comprovarem a elegibilidade não poderão competir.
Tiffany Abreu é uma referência no vôlei brasileiro, sendo a primeira mulher trans a atuar na Superliga Feminina, após ter sua transição de gênero aprovada pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB) em 2017. Desde então, a atleta construiu uma trajetória de sucesso, destacando-se no Vôlei Bauru e, atualmente, no Osasco, onde conquistou títulos importantes como a Superliga e a Copa Brasil.
Ao final de seu pronunciamento, a atleta afirmou:
“Não vou me calar. E vou tomar todas as medidas possíveis para que minha luta pelo direito, visibilidade, inclusão e prática do esporte não tenham sido em vão.”



