A Audi enfrentou seu primeiro contratempo na Fórmula 1 com a demissão de Jonathan Wheatley do cargo de chefe de equipe na última sexta-feira. O dirigente britânico, de 58 anos, havia sido contratado em 2025, ainda sob a bandeira Sauber, para comandar a transição da escuderia suíça para o grid como representante oficial da montadora alemã nesta temporada.
Experiência e trajetória
Mecânico da Benetton em 1991, Wheatley progrediu até se tornar chefe de mecânicos em 2001, já na fase Renault. Em 2006, ingressou na Red Bull Racing como diretor esportivo, função que exerceu por quase 18 anos e que o tornou braço-direito de Christian Horner. Em agosto de 2024, deixou Milton Keynes para assumir a chefia da então Sauber, considerada peça-chave para o projeto da Audi que produz seu próprio motor sob o novo regulamento de 2026.
📖 Leia Também
Motivos da saída
A versão oficial aponta dificuldades de adaptação de Wheatley e sua família a Hinwil, sede da equipe. Nos bastidores, porém, a decisão também envolveu atritos com o italiano Mattia Binotto por autonomia nas operações diárias e uma proposta da Aston Martin para assumir o comando técnico–esportivo, com salário estimado em três vezes o recebido na Audi. Por regras da categoria, Wheatley deverá cumprir período de afastamento (“gardening leave”) antes de iniciar as novas funções.
Binotto assume interinamente
Chefe global do programa de Fórmula 1 da Audi, Mattia Binotto, 56 anos, acumulará o posto de team principal nos fins de semana de corrida. O engenheiro retorna à função quase três anos e meio após deixar o cargo equivalente na Ferrari, onde liderou o departamento técnico e, posteriormente, toda a escuderia até o fim de 2022.
Impacto inicial na equipe
A decisão surpreendeu a maior parte dos funcionários, embora Binotto tenha sido informado há dois meses. Mesmo com a mudança, a Audi iniciou bem sua temporada de estreia: o brasileiro Gabriel Bortoleto marcou dois pontos com o 9.º lugar no Grande Prêmio da Austrália, enquanto o alemão Nico Hülkenberg completa a dupla de pilotos. Os processos desenvolvidos desde 2025 permanecem intactos, mas a equipe segue trabalhando para resolver falhas hidráulicas identificadas nas primeiras etapas.


Imagem: Rafael Lopes
A Audi não descarta buscar um novo nome para o comando esportivo em médio prazo, enquanto Binotto conduz simultaneamente o desenvolvimento do carro e da unidade de potência na fábrica suíça.

