A Justiça do Rio de Janeiro aceitou o pedido de recuperação judicial da SAF do Botafogo, medida que marca um momento crítico para a gestão financeira do clube.
Decisão judicial
O pedido protocolado pela SAF foi deferido pelo juiz Marcelo Mondego de Carvalho Lima, da 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, que autorizou o processamento formal da recuperação judicial nos termos do artigo 52 da Lei nº 11.101/05.
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Documentos apresentados ao juízo apontam um passivo sujeito ao processo de aproximadamente R$ 1,286 bilhão, enquanto a dívida total da companhia ultrapassa R$ 2,5 bilhões.
Motivos e risco operacional
Em comunicado, a SAF afirmou que a decisão decorre de um “grave cenário financeiro” que passou a ameaçar a operação diária do clube. Entre os problemas citados pela entidade estão risco de transfer bans aplicados pela FIFA, bloqueios de recursos, vencimentos antecipados de obrigações e severas restrições de caixa.
Cobrança à gestão de John Textor e à Eagle Football
Pela primeira vez de forma explícita desde o agravamento da crise, o Botafogo responsabilizou publicamente a gestão de John Textor e a Eagle Football. No documento, o clube afirmou que houve falta de compromisso com a estabilidade financeira e institucional da SAF e apontou um processo de descapitalização interna.
Segundo o comunicado, mais de R$ 900 milhões deixaram de retornar ao clube, enquanto outros ativos do grupo teriam recebido aportes milionários, incluindo um aporte de aproximadamente US$ 90 milhões no Lyon.
A nota também afirma que faltaram aportes financeiros e suporte operacional por parte da Eagle Football, e que a SAF ficou sem injeção relevante de recursos por mais de um ano.
Mudança na gestão
Em meio à crise, a SAF promoveu alterações na direção: Eduardo Iglesias foi escolhido diretor-geral em Assembleia Geral Extraordinária, substituindo Durcesio Mello, que exercia a função de forma interina desde o afastamento de John Textor. Textor foi retirado da gestão da SAF em 23 de abril por decisão do Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas.
Objetivos da recuperação judicial
O clube afirma que a recuperação judicial busca preservar as atividades esportivas, proteger empregos, viabilizar negociações com credores, manter a competitividade do futebol e assegurar estabilidade jurídica. A medida possibilitará a apresentação oficial de um plano de recuperação aos credores, conforme prevê a legislação.
Impacto sobre sanções esportivas
Outro ponto destacado pela SAF é a tentativa de reduzir impactos de punições impostas pela FIFA. O clube argumenta que a atuação judicial era necessária porque a tutela cautelar anterior não produzia efeitos jurídicos equivalentes ao processamento da recuperação judicial, segundo esclarecimento da própria FIFA, e que o avanço do processo é fundamental para proteger a operação esportiva e evitar prejuízos maiores.
A medida segue agora os trâmites legais para elaboração e apresentação de um plano de recuperação aos credores.

