Roberto Graziano, do Grupo Magnum, apresentou uma oferta de SAF de R$ 750 milhões, que pode chegar a R$ 1,075 bilhão com incentivos. Os conselheiros divergem sobre incluir no acordo os ônus da compra do Brinco de Ouro, no leilão de 2015.
O Conselho do Guarani analisa uma proposta de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) que prevê investimentos de R$ 750 milhões, podendo chegar a R$ 1,075 bilhão com a inclusão de incentivos. A oferta é do empresário Roberto Graziano, dono do Grupo Magnum, e encontrou resistência entre os conselheiros.
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O ponto de discórdia no conselho
O principal ponto de discórdia são as obrigações assumidas por Graziano na compra do estádio Brinco de Ouro, em leilão realizado em 2015. Parte do conselho entende que esses compromissos — entre eles um investimento de R$ 105 milhões — pertencem à operação de venda do estádio e não podem ser contabilizados como aporte novo da SAF.
“Compromissos assumidos pelo empresário na compra do Brinco de Ouro não deveriam ser utilizados como parte do investimento”, afirmam representantes do clube.
Os próximos passos da análise da proposta
Na primeira reunião de análise da proposta, na última terça-feira, o conselho criou uma comissão com representantes das três chapas eleitas para negociar novas condições com o investidor. O grupo também vai discutir como as obrigações de construção da nova arena, do centro de treinamento e da estrutura do clube social se encaixam no processo da SAF.
O Grupo Magnum comprou o Brinco de Ouro em meio a uma grave crise financeira do Guarani e assumiu compromissos para obter autorização de novos empreendimentos no local. O acordo original previa uma arena nos moldes da Fonte Luminosa, em Araraquara, além do CT e do clube social. Em 2021, a Magnum sinalizou que cumpriria o acordo judicial e tocaria a arena, projetada inicialmente para 12 mil lugares, com expansão possível para 25 mil. O projeto, porém, ainda não saiu do papel e depende de aprovações da Prefeitura de Campinas.
Pela proposta, Graziano ficaria com 90% das ações da futura SAF e o Guarani com 10%. Estão previstos R$ 400 milhões de investimento no futebol ao longo de 20 anos e R$ 350 milhões para quitar dívidas do clube. Os valores não foram confirmados oficialmente pelas partes e estão protegidos por cláusulas de confidencialidade.
Outro ponto de atrito é a previsão de multa de 10% do valor da operação caso a proposta não seja aprovada pelo Conselho Deliberativo até 4 de setembro. A Ernst & Young, contratada pelo Guarani para avaliar o negócio, apresentou parecer apontando riscos e questões legais no modelo proposto.
As assembleias de apresentação e discussão estão marcadas para os dias 1º, 2 e 3 de setembro, com a votação em 4 de setembro. Até lá, os conselheiros pretendem negociar alterações na minuta apresentada pelo investidor.



