Ídolos como Vanderlei Luxemburgo, Edmundo e Luís Fabiano foram derrotados, mas o futebol seguiu influente. Candidatos usaram apelidos, camisas e vínculos com clubes para mobilizar eleitores. Clubes atuaram nos bastidores em Brasília.
Os resultados das eleições de 2026 produziram uma aparente contradição: ídolos como Vanderlei Luxemburgo, Edmundo, Luís Fabiano e Marcelinho Carioca foram derrotados, mas o futebol manteve-se como ferramenta poderosa de identidade, mobilização e pressão política.
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A influência não pode ser medida apenas pelo número de ex-atletas eleitos. Ela também aparece na maneira como candidatos utilizaram apelidos, camisas, símbolos e vínculos com clubes para se apresentar aos eleitores.
Aparece ainda nos bastidores de Brasília. Às vésperas da eleição, alguns dos maiores clubes do País desafiaram uma medida do governo federal e procuraram o Supremo Tribunal Federal para proteger contratos milionários com casas de apostas.
Vários candidatos levaram para as urnas nomes construídos durante a carreira esportiva. Dinei apresentou-se com a ligação à torcida do Corinthians; Washington manteve o apelido “Coração Valente”; Donizete seguiu identificado como “Pantera”. Luís Fabiano explorou a imagem de artilheiro ligada ao São Paulo; Edmundo permaneceu associado ao Vasco; Danrlei utilizou a relação histórica com o Grêmio.
A estratégia busca transformar memória afetiva em confiança política: o eleitor já conhece o nome, recorda conquistas e possui reação emocional à trajetória. O limite aparece quando a identidade esportiva não vem acompanhada de uma base política, já que a torcida reúne posições ideológicas, interesses e realidades diferentes. Vestir a mesma camisa não significa escolher o mesmo candidato nas urnas.
As instituições esportivas costumam evitar apoio partidário oficial para não dividir torcedores, criar problemas internos e comprometer relações com governos. Isso não significou neutralidade diante de decisões capazes de afetar receitas. A proibição das casas de apostas colocou clubes e governo em lados opostos justamente nos últimos dias da campanha.
Flamengo, Botafogo, São Paulo, Ponte Preta, Vitória, Guarani e Portuguesa pediram ao STF para participar de ação contra a medida que determinou o encerramento das operações das bets no Brasil. Os clubes alegaram que o fim abrupto dos contratos poderia provocar atrasos salariais, vendas emergenciais de jogadores e dificuldades para manter as equipes nas competições.
A reação formou uma aliança incomum: rivais e equipes de diferentes estados e divisões passaram a defender o mesmo interesse econômico. Dirigentes do futebol paulista também participaram de reuniões para avaliar consequências da proibição e medidas conjuntas. A estimativa discutida pelo setor apontou impacto de até R$ 1 bilhão por ano somente em patrocínios diretos.
A mobilização ocorreu durante uma eleição na qual as apostas se transformaram em tema político. O governo defendeu a proibição como medida de proteção contra endividamento, dependência e problemas sociais. Os clubes sustentaram que os contratos haviam sido assinados dentro de um mercado regulamentado pelo próprio poder público. Nesse contexto, o futebol não buscou eleger um candidato; tentou influenciar decisão de Estado que ameaça parte de seu modelo financeiro.
Nem mesmo experiência em cargos esportivos assegurou sucesso: Eduardo Bandeira de Mello e Marcos Braz não conseguiram se eleger. Por outro lado, Danrlei e Luiz Lima foram eleitos deputados federais: o ex-goleiro do Grêmio recebeu 105.079 votos no Rio Grande do Sul e Luiz Lima obteve 37.711 votos no Rio de Janeiro. Outros exemplos mostram disparidade entre visibilidade e voto: Marcelinho Carioca teve 2.494 votos no Distrito Federal e Luís Fabiano somou 9.613 votos na disputa para deputado federal.
ONDE O FUTEBOL ENTROU NA ELEIÇÃO
- Ex-atletas: utilizaram apelidos e histórias construídas nos clubes;
- Dirigentes: tentaram converter exposição administrativa em votos;
- Candidatos: buscaram identificação com grandes torcidas;
- Clubes: evitaram apoio partidário oficial para não dividir suas bases;
- Casas de apostas: a proibição motivou ação judicial e mobilização de clubes.

