Os treinos de pré-temporada no Bahrein revelaram um problema inesperado no novo regulamento de motores da Fórmula 1 para 2026: para recuperar energia suficiente e reduzir o atraso do turbo, várias equipes foram obrigadas a fazer curvas tradicionalmente de segunda ou terceira marcha usando a primeira. O ajuste, descrito por pilotos como “incômodo”, expõe a dificuldade de administrar o sistema híbrido que entrará em vigor daqui a duas temporadas.
MGU-K mais forte, bateria igual
O futuro conjunto motriz prevê um MGU-K de 350 kW, enquanto as baterias praticamente não mudam de capacidade. Essa combinação transforma a gestão de energia em prioridade, obrigando engenheiros a maximizar cada frenagem para chegar ao limite de 8,5 MJ de regeneração por volta.
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Sakhir, com quatro retas longas e pontos de frenagem fortes, serviu de laboratório. Mesmo assim, a coleta de energia exigiu medidas extremas. “Aqui, a curva 1 era feita em terceira; agora precisamos engatar a primeira para manter o motor em altas rotações e o turbo girando”, explicou George Russell, da Mercedes.
Impacto no freio e no equilíbrio
Descer marchas até o limite atua como um “freio de mão” adicional, segundo os pilotos. Para compensar, as equipes recorrem ao brake-by-wire (BBW) e ao freio-motor, que agora absorvem volume maior de energia. Discos traseiros foram reduzidos, à semelhança da Fórmula E, transferindo parte significativa da desaceleração para o sistema elétrico.
Durante os treinos, multiplicaram-se bloqueios de roda e escapadas de traseira, sinal de que a calibração do BBW ainda está longe do ideal. A instabilidade diminui em voltas lançadas na classificação, quando os pneus oferecem mais aderência, mas cresce em stints longos, acelerando o desgaste dos compostos traseiros.
Turbo-lag volta ao debate
Com a retirada do MGU-H, o atraso do turbo retornou à pauta técnica. Para contornar o problema, alguns fabricantes optaram por turbinas menores; outros, como a Red Bull, preferiram componentes maiores para manter velocidade de reta. A escolha do tamanho do turbo influencia diretamente a necessidade de reduzir marchas e o momento de recarga da bateria.
Curva de aprendizado
A passagem para a primeira marcha, embora mais lenta dentro da curva, evita perda de tempo nas retas posteriores, explicam engenheiros. “É uma grande curva de aprendizado entender como tudo isso afeta a volta inteira”, resumiu Russell.
No modo de classificação, a questão é suavizada; porém, em ritmo de corrida, pilotos e equipes ainda buscam equilíbrio entre performance, economia de pneus e recarga de energia. O consenso no paddock indica que o “sacrifício” de engatar a primeira marcha, por ora indigesto, tende a ser o preço a pagar para cumprir o novo limite técnico imposto pela FIA.


