Após a vitória do Santos, Neymar rebateu pergunta sobre gramado sintético e disse que o piso do estádio do Corinthians é um 'misto', como em clubes europeus. A fala reabriu debate sobre grama artificial no Brasil.
Após a vitória do Santos sobre o Corinthians, no último domingo, 30, o tema sobre gramados sintéticos voltou ao debate quando Neymar foi questionado sobre como se sente em campos de grama artificial. O jogador rebateu a repórter e afirmou que o piso da Neo Química Arena não é sintético, classificando-o como um misto similar ao utilizado em clubes europeus.
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“Hoje não era gramado sintético, né? Não é um gramado sintético. O gramado do estádio do Corinthians, para mim, é um dos melhores que existem. É um misto, como era o do PSG também.”
A dúvida sobre a natureza do gramado da Neo Química Arena motivou um levantamento técnico sobre diferenças entre gramados naturais, mistos (híbridos) e totalmente artificiais. Tecnicamente, o gramado do estádio corintiano é classificado como híbrido: a superfície é formada por grama natural do tipo ryegrass, enquanto fibras sintéticas são costuradas abaixo da camada vegetal para reforçar a estrutura do campo.
Na prática, esse modelo é diferente do utilizado em campos totalmente artificiais, como os de alguns outros estádios brasileiros, e se aproxima do padrão adotado em diversas arenas da elite europeia e em Copas do Mundo, entrando, portanto, na lista de estádios com gramado natural reforçado.
No sistema aplicado na Neo Química Arena, as fibras sintéticas são inseridas alguns centímetros abaixo da superfície para servir de ancoragem ao sistema radicular da grama natural. O objetivo é reduzir a formação de buracos, aumentar a estabilidade junto ao solo e melhorar a resistência ao desgaste provocado pela sequência de partidas.
Em entrevista, Rodrigo Santos, engenheiro agrônomo e coordenador da Itograss, explicou a distinção entre os tipos de piso e detalhou a tecnologia utilizada:
“Há um abismo entre o gramado sintético e o misto (ou reforçado). Um gramado reforçado tem entre 7 e 10% de fibras injetado a diversas profundidades com o propósito de aumentar a estabilidade do gramado natural. Essa tecnologia é utilizada na maioria dos gramados nas principais ligas europeias, assim como foi utilizado em todos os estádios da Copa do Mundo.”
A Neo Química Arena passou por uma renovação do sistema em 2025, complementado neste ano. O gramado recebeu novas fibras sintéticas por meio do processo conhecido como “stitching” (costura), tecnologia que integra a estrutura artificial às raízes da grama natural. Também houve retirada completa da superfície antiga, remoção da matéria orgânica acumulada, nivelamento da base e novo processo de semeadura.
Segundo o Corinthians e a World Sports, empresa responsável pelo gramado desde a construção da arena, o campo utiliza um tipo de gramado incomum no Brasil. Para manter a qualidade do ryegrass, o clube conta com um sistema de resfriamento instalado abaixo da superfície, tecnologia que permite conservar uma espécie típica de clima frio.
O modelo adotado pelo Corinthians segue tendência consolidada no futebol internacional. Em agosto de 2023, a Neo Química Arena foi descrita como um gramado composto por 93% de grama natural e 7% de fibras sintéticas. A espécie ryegrass é comum em locais com condições climáticas semelhantes às da Europa, e o uso de fibras sintéticas como reforço é prática corrente.
Nas últimas décadas, grandes campeonatos investiram em sistemas de drenagem, iluminação artificial, ventilação forçada, controle térmico e reforços para manter gramados naturais em condições de jogo. A Fifa autoriza o uso de gramados sintéticos em competições oficiais desde 2001, com testes em laboratórios credenciados e certificações como Fifa Quality e Fifa Quality Pro; ainda assim, a entidade proíbe gramados totalmente artificiais na Copa do Mundo. Na edição de 2026, todos os estádios tiveram gramados naturais ou mistos.
Sobre a segurança dos atletas, Rodrigo Santos manifestou preocupação com campos totalmente artificiais e citou movimentos de atletas em outras modalidades como referência:
“Não faltam dados confiáveis que comprovam o maior risco à segurança do atleta mediante a exposição ao gramado artificial. Basta ver todo o movimento nos EUA por parte dos jogadores da NFL em razão dos gramados naturais que foram entregues durante a Copa do Mundo.”
O episódio reacendeu o debate sobre tipos de piso e cuidados necessários para manutenção de campos de alto desempenho, com ênfase em tecnologias de reforço que combinam grama natural e fibras sintéticas para aumentar durabilidade e segurança.




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