O Corinthians recebeu ultimato da administradora do RCE para quitar cerca de R$10 milhões sob risco de bloqueio das contas. MP deu 15 dias e a ação tramita na 2ª Vara de Falências de SP; o clube diz que 'mantém diálogo'.
São Paulo, SP — Em grave crise financeira, o Corinthians recebeu nesta quinta-feira, 22, um ultimato da administradora do Regime Centralizado de Execuções (RCE) para regularizar pagamentos em atraso do plano, sob o risco de ter contas bancárias bloqueadas.
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O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) deu 15 dias, a partir da última terça-feira, 20, para o clube resolver as pendências, que somam aproximadamente R$ 10 milhões. A ação corre na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo.
Em nota, o clube informou sua posição sobre a situação.
“mantém diálogo com os agentes envolvidos e adotará as medidas necessárias para preservar o RCE” e que “segue trabalhando em diferentes frentes para reorganizar seu fluxo de caixa, reduzir seu endividamento e criar condições para o cumprimento sustentável de seus compromissos”.
O RCE é o mecanismo jurídico adotado pelo Corinthians para organizar e parcelar aproximadamente R$ 200 milhões em dívidas cíveis e trabalhistas, concentrando processos em uma única vara judicial. O instrumento foi pensado para evitar bloqueios imediatos nas contas e permitir o pagamento ordenado de credores com receitas do clube, com objetivo de promover reestruturação financeira.
O valor em atraso está detalhado: há um saldo remanescente de R$ 2,4 milhões relativo à parcela de julho de 2026 — quitada com atraso e apenas parcialmente (58,33%) — e o não pagamento da parcela de agosto de 2026, fixada em R$ 7,6 milhões.
A administradora judicial, Laspro Consultores Ltda., informou ao juízo que o Corinthians também deixou de entregar documentos e demonstrativos contábeis das competências de agosto e setembro de 2026, além de manter a lista de pagamentos no site oficial desatualizada desde junho. A administradora apontou a “gravidade” no cenário da prestação de contas e recomendou que o clube fosse intimado a apresentar a documentação pendente no prazo de cinco dias.
Fiscalização e o MP-SP identificaram alegadas irregularidades, entre elas a dedução não comprovada de R$ 26.034.838,02 atribuída à Caixa Econômica Federal e uma confissão de dívida de R$ 38.092.456,80 com o FIDC Daycoval, envolvendo conversão de contingência e abatimento de fundo de reserva. Também são citadas a reclassificação de R$ 32,77 milhões da Nike como operação financeira em vez de patrocínio e a ausência de identificação do número do processo e da vara em depósitos judiciais pelo Banco do Brasil.
Tanto o MP quanto a administradora têm recebido petições de credores que pedem o encerramento imediato do RCE e a liberação das penhoras. Entre os credores que solicitaram impugnação do plano estão empresas como Link, agência ligada ao empresário André Cury, e a Pix Star, antiga detentora da marca do patrocinador.
Apesar da advertência formal, os órgãos responsáveis defenderam a manutenção temporária da suspensão das execuções individuais para evitar um colapso desordenado nas atividades do clube. Caso o Corinthians não comprove o depósito dos valores devidos e não sane as pendências dentro dos prazos, a proteção legal será revogada com base no artigo 23 da Lei nº 14.193/2021, o que permitirá a retomada imediata das execuções, bloqueios de contas e eventuais penhoras.
Em março deste ano, a Justiça de São Paulo havia alertado que poderia recorrer a intervenção judicial no clube se novas “inconsistências de receitas” fossem identificadas nas documentações entregues pela diretoria no âmbito do RCE.
Bruno Accorsi

