Curitiba (PR) – Em 17 de março de 2006, chegava ao fim uma das passagens mais peculiares de um treinador pelo futebol brasileiro. O ex-meio-campista alemão Lothar Matthäus, capitão da Alemanha campeã mundial em 1990, ficou pouco mais de dois meses à frente do Athletico Paranaense, acumulou oito partidas sem derrota e partiu de forma repentina rumo à Europa.
Chegada inesperada
O nome de Matthäus surgiu após uma visita casual às dependências do clube, em janeiro daquele ano. Em negociação conduzida pelo presidente Mario Celso Petraglia, o Athletico anunciou o alemão em 11 de janeiro de 2006, ainda durante a busca por um substituto para Evaristo de Macedo. O novo comandante desembarcou em Curitiba e iniciou os trabalhos no início de fevereiro, enquanto o auxiliar Vinícius Eutrópio dirigia a equipe no Campeonato Paranaense.
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Metodologia europeia
Acompanhado de um intérprete, Matthäus implantou rotina de treinos leves no dia das partidas, manteve o time titular em sigilo até instantes antes dos jogos e instituiu almoços coletivos de 30 minutos, nos moldes de clubes do Velho Continente. Segundo Eutrópio, as novidades causaram estranhamento inicial, mas foram bem assimiladas pelo elenco que contava, entre outros, com Paulo André, Cristian, Michel Bastos, Alan Bahia, Dagoberto e Dênis Marques.
Empolgação da torcida
No primeiro jogo sob seu comando, vitória por 1 a 0 sobre o Galo Maringá pelo Estadual, a torcida preparou mosaico com as cores da Alemanha na Arena da Baixada. Pouco depois, na Copa do Brasil, o treinador se impressionou com o meia Válber, do Moto Club, autor de um gol na derrota maranhense por 2 a 1, e articulou sua contratação imediata.
Polêmicas fora de campo
No curto período em Curitiba, Matthäus aproveitou o Carnaval, recebeu multas por excesso de velocidade em vias da capital paranaense e se envolveu em discussão com um fotógrafo no hotel onde morava, episódio que teria terminado em agressão.
Viagem sem volta
No dia 7 de março, o Athletico divulgou nota informando que o técnico viajaria à Alemanha para “resolver assuntos pessoais”. Matthäus deixou o treinamento matinal, embarcou para Frankfurt e não retornou. Nos bastidores, a versão corrente era de que a esposa Marijana exigira sua presença na Europa.


Imagem: Internet
Em 16 de março, a diretoria enviou carta pedindo reapresentação imediata. A resposta, datada de 19 de março em Budapeste, solicitava rescisão contratual por “motivos particulares de grande urgência”. O clube oficializou a saída três dias depois.
Números, contas e destino
Invicto, o alemão somou seis vitórias e dois empates em oito partidas. Em 29 de março, o Athletico publicou em seu site duas contas telefônicas não quitadas pelo ex-treinador, totalizando R$ 13.007,62.
Após deixar o Brasil, Matthäus comandou Red Bull Salzburg (Áustria), Maccabi Netanya (Israel) e a seleção da Bulgária, onde trabalhou até 2011. Desde então, atua como comentarista esportivo e, em ocasiões distintas, já pediu desculpas à torcida rubro-negra pela forma abrupta de sua despedida.

