A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, criticou nesta segunda-feira, 8 de dezembro de 2025, o documento encaminhado pelo Flamengo à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) que sugere, entre outras medidas, a extinção gradual dos gramados sintéticos no País.
Segundo a dirigente, a discussão sobre a qualidade dos campos “tem sido pautada por clubismo”. Ela lembrou os problemas recorrentes do gramado do Maracanã, palco dos jogos do clube carioca, e declarou não haver “qualquer evidência científica” de que a superfície artificial provoque mais lesões.
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Defesa do sintético
O Palmeiras adotou o gramado artificial no Allianz Parque em 2020. De acordo com Leila, desde então a equipe figura entre as que menos registram atletas no departamento médico na Série A. “No dia em que tiver um estádio próprio, o Flamengo pode escolher o tipo de gramado que quiser. O Palmeiras tem e optou pela grama artificial”, alfinetou. A presidente citou ainda a Arena Barueri, administrada pela Crefisa, que também utiliza superfície sintética.
A mandatária ressaltou ter investido mais de R$ 700 milhões em 2025 em infraestrutura, reforçando a convicção no projeto.
Proposta rubro-negra
No documento entregue à CBF, o Flamengo defende um programa de padronização dos gramados nos moldes de Fifa e Uefa, com testes técnicos obrigatórios, vistorias periódicas e eliminação progressiva das superfícies artificiais: Série A até 2028 e Série B até 2029.
O clube carioca sustenta que a grama sintética aumenta o risco de lesões e cita estudos de publicações como Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports e British Journal of Sports Medicine, além de relatórios de saúde pública e reportagem do The Guardian. O presidente do Conselho de Administração do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista (BAP), chegou a declarar que “é uma vergonha aceitar gramado de plástico no Brasil”.
Mapa dos gramados na Série A
Sintético: Atlético-MG, Athletico-PR, Botafogo, Chapecoense e Palmeiras.
Natural: Bahia, Corinthians, Coritiba, Cruzeiro, Flamengo/Fluminense (Maracanã), Grêmio, Internacional, Mirassol, Red Bull Bragantino, Remo, Santos, São Paulo, Vasco e Vitória.
O contrato de cogestão do Allianz Parque, firmado entre Palmeiras e WTorre, segue até 2044. A construtora administra o estádio, enquanto o clube fica com 100% da renda líquida de bilheteria e participações progressivas em receitas comerciais.
Debates sobre o tipo de gramado devem prosseguir nos fóruns da CBF e da Libra, onde o tema já foi discutido ao longo de 2025.

