A instabilidade recente nos acordos de patrocínio máster entre equipes da Série A do Campeonato Brasileiro e casas de apostas levou dirigentes e agências de marketing esportivo a concentrar esforços na ICE Barcelona, maior feira mundial do setor, realizada de 19 a 21 de janeiro na capital catalã.
Perda de contratos pressiona mercado nacional
Internacional, Bahia e Coritiba juntaram-se a Grêmio, Santos e Vasco no grupo de clubes que ficaram sem parceiro principal de apostas nos últimos meses. Com isso, 30% dos participantes da elite começaram a temporada sem uma marca de “bets” estampada no espaço mais nobre do uniforme. O cenário contrasta com 2025, quando apenas Mirassol e Bragantino não tinham patrocinador máster do segmento — embora ainda exibissem outras empresas de apostas em propriedades secundárias.
📖 Leia Também
Oportunidade de networking
A feira em Barcelona reúne companhias já licenciadas no Brasil e outras que ainda estudam ingressar no país, abrindo a possibilidade de acordos com marcas inexistentes no futebol brasileiro. “Nosso objetivo principal é relacionamento; quem não é visto, não é lembrado”, afirma Fábio Wolff, sócio-diretor da agência Wolff Sports, presente ao evento desde 2020 (com exceção do período pandêmico).
Revisão de estratégias
Especialistas apontam que, após um 2025 de investimentos elevados impulsionado pela regulamentação do setor, várias casas de apostas revisaram suas estratégias, movimento reforçado pela elevação progressiva da tributação sobre a Receita Bruta de Jogo, que sobe de 12% para 15% até 2028.
Expectativas de fornecedores brasileiros
Para Alex Rose, CEO da fornecedora de tecnologia InPlaySoft, iniciar o calendário na ICE é decisivo. “O evento reúne os principais players, permite contato com futuros clientes e mostra as tendências do setor”, resume.
Também presente, Ricardo Vidal, CCO da solução de pagamentos Paag, vê na feira espaço para apresentar ferramentas de conformidade, como KYC, monitoramento de apostadores, prevenção à lavagem de dinheiro e compliance. “É uma chance de entender as demandas dos operadores e acompanhar a evolução internacional”, diz.
Futebol brasileiro continua atrativo
Enquanto ligas da Espanha, Itália e Inglaterra avançam em restrições à publicidade de apostas, o Brasil segue como mercado cobiçado. Entre 2023 e 2025, o valor total pago pelos patrocinadores máster da Série A saltou de R$ 496 milhões para R$ 1,1 bilhão, crescimento de 125%, segundo levantamento da Jambo Sport Business.
Em meio a ajustes de estratégias e busca por novos parceiros, a ICE Barcelona consolida-se como ponto de encontro para clubes brasileiros que desejam recompor suas receitas de patrocínio e manter a exposição de marcas de apostas nos uniformes.

