A cidade de Houston, no Texas, é um marco na história do futebol brasileiro, especialmente na trajetória do icônico jogador Tostão. Em 24 de setembro de 1969, a carreira do craque do Cruzeiro e da seleção brasileira sofreu um golpe inesperado. Durante uma partida chuvosa no Pacaembu contra o Corinthians, um chute de Ditão atingiu o rosto de Tostão, resultando em um descolamento de retina. O atleta passou por cirurgias de emergência e foi levado a Houston para tratamento. Após sua recuperação, foi convocado para a seleção brasileira, mas decidiu encerrar sua carreira em 1974, aos 26 anos, devido aos riscos à sua saúde.
O jornalista brasileiro José Maria de Aquino acompanhou de perto a vida de Tostão, que mais tarde se formaria em oftalmologia. Em seu livro “Minha Vida de Repórter”, publicado pela Editora Letras do Brasil, Aquino revela detalhes de uma visita a Houston, em uma reportagem originalmente publicada em agosto de 1973. Esse relato é especialmente relevante, pois proporciona uma visão íntima sobre o impacto que Tostão teve na cidade durante sua recuperação.
📖 Leia Também
“Tostão tinha estado em Houston, no Texas, EUA, em outubro de 1969, para submeter-se a cirurgia na vista, e voltou lá em abril de 1973, para novos exames com o doutor Roberto Abdalla Moura, médico mineiro que ali clinicava há vários anos e que lhe deu assistência durante o Mundial do México”, escreveu Aquino.
No contexto da matéria, destaca-se que, após deixar o Cruzeiro e se transferir para o Vasco, muitos duvidavam da possibilidade de Tostão retornar aos gramados devido aos problemas de visão. A revista PLACAR, da qual Aquino fazia parte, decidiu tentar uma entrevista com o jogador, mas foi difícil estabelecer contato. Após várias tentativas frustradas, a solução encontrada foi enviar um repórter a Houston para registrar como o ídolo brasileiro era recebido na cidade.
“Se você não conseguir entrar no hospital, mostre como os americanos estão sentindo a presença de um ídolo do futebol brasileiro naquela cidade”, foi a orientação do diretor da revista, que abriu um novo ângulo para a reportagem. Assim, Aquino preparou-se para a viagem, levando cartas de familiares de Tostão e outros itens que poderiam ajudar a quebrar o gelo na visita ao hospital.
Ao chegar em Houston, o repórter enfrentou o desafio de se conectar com Tostão em meio ao clima de incerteza sobre sua carreira. O relato de Aquino sobre sua missão e as emoções envolvidas na recuperação do atleta se tornaram um importante capítulo na história do futebol e na memória coletiva dos torcedores brasileiros.




Conteúdo Recomendado

