Lewis Hamilton celebrou o retorno da Fórmula 1 ao continente, mas manifestou reservas sobre Ruanda como primeira sede. A categoria assinou um acordo de dez anos; as corridas ocorrem após construção do circuito na década de 2030.
Lewis Hamilton comemorou, nesta quinta-feira (22), a decisão da Fórmula 1 de voltar a realizar corridas na África, mas manifestou reservas em relação à escolha de Ruanda como sede da primeira etapa no continente em mais de três décadas. A categoria anunciou, na semana passada, um acordo de dez anos para realizar etapas em Ruanda, que serão integradas ao calendário assim que o circuito for construído, no início da década de 2030.
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O heptacampeão mundial, de 41 anos, afirmou que deseja continuar competindo na Fórmula 1 por “muito mais tempo”, motivado pelo sonho de poder correr no continente africano. Em declarações a jornalistas antes do Grande Prêmio dos Estados Unidos, que acontece neste fim de semana, o piloto reconheceu preocupações relacionadas à escolha de Ruanda e pediu que essas questões não sejam ignoradas.
“É claro que não cabe a mim decidir para onde vamos e, naturalmente, hoje existem problemas em todo o mundo”, disse Hamilton. “Acompanhei muitas notícias, mas acredito que precisamos abordar essa questão com humildade”.
O retorno da Fórmula 1 ao continente terá simbolismo histórico: a última corrida realizada na África foi o Grande Prêmio da África do Sul, em 1993, nas proximidades de Joanesburgo — época em que Hamilton tinha apenas oito anos. O anúncio do calendário com Ruanda ainda depende da construção do circuito, prevista para os primeiros anos da década de 2030, e da integração oficial ao calendário da categoria.
“Há muitas coisas que desconhecemos”, acrescentou Hamilton, que há anos defende a volta da F1 à África.
O piloto também abordou aspectos educativos e históricos em suas observações, destacando a necessidade de maior conhecimento sobre a África entre gerações que cresceram fora do continente. Ele relacionou problemas atuais a resultados do passado e chamou atenção para o potencial e os recursos da região.
“Crescendo na Inglaterra, nunca nos ensinaram nada sobre a África. Isso deveria fazer parte do currículo escolar”, afirmou Hamilton.
Em outro trecho, Hamilton mencionou as consequências históricas e políticas que, segundo ele, ainda marcam a África, ao mesmo tempo em que manteve otimismo quanto ao futuro do continente.
“Continuo com a esperança de que a África se una. Sei que há muitas pessoas que não querem que isso aconteça, porque, se acontecesse, o continente se tornaria muito poderoso, mas continuo confiante de que, um dia, isso se tornará realidade”.
A afirmação do piloto e a confirmação do acordo de dez anos abrem nova frente de debate sobre logística, segurança e impacto político e social da realização de uma etapa de Fórmula 1 em Ruanda. A integração oficial ao calendário ficará condicionada à conclusão do circuito e às avaliações técnicas e regulatórias previstas para os próximos anos.

