Jogar em casa pesa: a escuderia de Maranello traz nova unidade de potência avaliada no ADUO para atacar a etapa em Monza. Expectativa é de ganho de velocidade na pista mais rápida do calendário.
Jogar em casa é vantagem no esporte e, na Fórmula 1, a comparação mais próxima será a da Ferrari no GP da Itália, que será disputado neste final de semana em Monza. Independentemente do desempenho ao longo da temporada, a etapa na tradicional pista da região de Milão é sempre tratada como a mais importante do calendário para a escuderia italiana.
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Em Monza, a Ferrari costuma levar atualizações específicas ao carro e, em 2026, a melhoria virá diretamente na parte mais sensível para rendimento no circuito: o motor. A unidade de potência da equipe de Maranello foi avaliada no ADUO (mecanismo de oportunidades de desenvolvimento a motores deficitários) da FIA em um déficit abaixo de 4% em relação à referência considerada a melhor, o motor Red Bull-Ford, o que permitiu trabalhar em um ganho de performance que estreia neste GP.
Nesta quinta-feira, nas entrevistas oficiais do “dia de imprensa” do GP da Itália, tanto Lewis Hamilton quanto Charles Leclerc se mostraram confiantes em lutar pela vitória, mas evitaram criar euforia por conta do motor. O gerenciamento de energia com os novos carros da F1 também será fundamental em Monza, pista com longos trechos de reta que consomem muita energia.
Motivação não falta para os pilotos. Hamilton busca se tornar o maior vencedor da história do GP da Itália e atualmente está empatado com Michael Schumacher, cuja homenagem no final de semana aparecerá em uma pintura integralmente vermelha da Ferrari. Como vice-líder do campeonato, o britânico tem que aproveitar o final de semana correndo em casa para diminuir a desvantagem de 58 pontos para Kimi Antonelli, que largará no final do grid por conta de punição por troca de motor.
Para Leclerc, a corrida em Monza pode significar a entrada definitiva na disputa pelo título. O monegasco, atualmente dois pontos atrás de Hamilton, precisa mostrar que segue forte na luta contra Mercedes e McLaren e reduzir as polêmicas recentes envolvendo estratégia em etapas anteriores. Um fator a considerar é que, na classificação deste ano, a prioridade de escolha de estratégia é de Hamilton, e o vácuo pode influenciar o momento de saída para a volta rápida.
Monza é também pista de oportunidades de ultrapassagem: nos últimos dez anos, o pole position venceu apenas três vezes. McLaren e Mercedes chegam ao circuito sem vitórias recentes em Monza — a McLaren não vence desde 2021 e a Mercedes desde 2018 —, enquanto a Red Bull teve retrospecto positivo no autódromo, com Max Verstappen vencendo no ano passado e também em 2023 e 2022. No novo regulamento, contudo, a Red Bull ainda não triunfou nesta temporada.
Com o maior vencedor dos últimos cinco anos enfrentando dificuldades com o carro de 2026 e as equipes recém-citadas sem vitórias recentes em Monza, a Ferrari tentará usar o fator casa para se consolidar como uma das favoritas ao título de 2026. Nesta sexta-feira, nos treinos livres, será a primeira demonstração de força do potencial de vitória do time italiano. Históricos recentes mostram que favoritismo nem sempre se traduz em triunfo, mas em Monza a Ferrari dificilmente passa despercebida.


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