Las Vegas (EUA) – A McLaren perdeu o segundo e o quarto lugares conquistados na pista por Lando Norris e Oscar Piastri no Grande Prêmio de Las Vegas, na madrugada desta segunda-feira (24), após ambos os carros apresentarem desgaste excessivo da prancha de madeira instalada sob o assoalho, item usado pela FIA para verificar a altura mínima permitida.
No apagar das luzes da corrida, Norris reduziu o ritmo de forma drástica: a diferença de cinco segundos para Max Verstappen saltou para mais de 20. A queda de desempenho foi associada à economia de combustível pela transmissão oficial, mas, diante da punição posterior, a suspeita é de que a equipe já temia extrapolar o limite de altura e tentou minimizar danos.
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Por que a prancha gastou além do permitido
Engenheiros de diferentes equipes explicam que o desgaste da prancha é o resultado de várias escolhas de acerto: rigidez da suspensão, curso dos amortecedores, configuração aerodinâmica, porpoising e até a ausência de Safety Car. No caso da McLaren, pesa ainda um conceito característico: o carro roda normalmente com a dianteira mais baixa do que a traseira graças ao sistema de suspensão com forte controle de mergulho, solução que melhora a eficiência do assoalho.
Curiosamente, a violação detectada pela FIA ocorreu na parte traseira. Isso se liga à estratégia adotada para Las Vegas. O chefe Andrea Stella declarou após a classificação que o time alterou o equilíbrio do carro para corrigir o desgaste excessivo dos pneus dianteiros sofrido ali em 2024. Na prática, aumentou-se a carga aerodinâmica sobre o eixo posterior, fazendo o monoposto “afundar” nesse ponto.
Assim, com mais peso aerodinâmico atrás, somado a um asfalto irregular de circuito de rua e nenhuma intervenção do Safety Car, o assoalho tocou mais vezes o solo, provocando o desgaste que levou à punição. Durante a corrida, Norris e Piastri relataram fortes quicadas na cabine.
Pouco tempo para checagens
A corrida foi precedida de treinos encurtados por bandeiras vermelhas, limitando voltas com tanque cheio. Sem dados suficientes, a equipe britânica arriscou um acerto ousado. A medição pós-prova não deixa margem de tolerância: a federação utiliza um micrômetro com precisão de 0,001 mm. Qualquer valor inferior ao exigido resulta em desclassificação automática.
No GP de São Paulo, duas semanas antes, os carros laranja já haviam mostrado desgaste considerado “no limite”, mas dentro das regras. A evolução de desempenho da Red Bull e as características velozes de Las Vegas levaram a McLaren a forçar ainda mais os parâmetros.
Consequências para as etapas finais
Agora, a discussão interna é se será necessário aumentar a altura de forma permanente, sacrificando rendimento, ou apenas rever o acerto específico utilizado em Las Vegas. Qatar e Abu Dhabi, próximos compromissos do calendário, não são circuitos de rua e têm asfalto mais plano, reduzindo o risco de nova infração. Entretanto, uma nova desclassificação combinada a possíveis vitórias de Verstappen poderia definir o campeonato antes do previsto, aumentando a pressão sobre a equipe.
No paddock, o veredito predominante é que a McLaren errou ao ultrapassar um limite já conhecido. A busca por desempenho extra acabou custando caro, com a exclusão de ambos os carros da classificação final na corrida de estreia da Fórmula 1 na Sin City.


