O futuro da SAF do Botafogo ficará temporariamente indefinido após o Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas encaminhar a disputa entre o clube associativo e a Eagle Bidco ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). A medida adia decisões sobre a condução societária e administrativa da empresa que controla a SAF.
A arbitragem restabeleceu os poderes políticos da Eagle Bidco sobre a SAF. A companhia detém 90% das ações, parcela que havia sido congelada por decisão da Justiça do Rio no fim de abril. Na prática, a decisão autoriza a Cork Gully — administradora da Eagle — a negociar a venda dessas ações. Até então, o associativo, detentor dos 10% restantes, tinha liberdade para buscar um novo investidor; entre os candidatos, a americana GDA Luma surge como favorita.
DETALHES
A Ares foi um dos financiadores da compra do Lyon pelo grupo de John Textor e rompeu com o empresário por descumprimento de cláusulas financeiras, especialmente relacionadas à liquidez e ao endividamento, assumindo o controle da Eagle. A empresa mantém boa relação com Michele Kang, que passou a ter protagonismo na gestão do clube francês.
A devolução de poderes à Eagle/Ares pode afetar a recuperação judicial do Botafogo. A SAF contava com R$ 122,3 milhões de uma ação movida contra o Lyon, em que o clube teve ganho de causa na 17ª Vara Cível do Rio de Janeiro; com a nova decisão, há a possibilidade de que essa dívida não seja reconhecida.
A arbitragem também considerou irregular a nomeação de Durcesio Mello como gestor interino da SAF. O associativo havia indicado Mello depois que a própria arbitragem afastou John Textor. A nomeação de Mello também foi ratificada por decisão da Justiça do Rio.
SAIBA MAIS
O novo entendimento arbitral contraria parte do que foi decidido pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), mas mantém Textor afastado e separado da Eagle Bidco. A determinação prevê que o STJ analise o tema, ampliando as frentes jurídicas sobre o caso.
Com a decisão arbitral, a Eagle Bidco volta a ter direito de representação na Assembleia Geral Extraordinária marcada para 14 de maio. Enquanto isso, o Botafogo segue enfrentando graves problemas financeiros e, nesta segunda-feira, recebeu seu terceiro transfer ban da Fifa.

