O Corinthians apresentou, no âmbito do Regime de Centralização de Execuções (RCE), sua versão para a diferença de R$ 149.212.369,37 identificada nas receitas de fevereiro de 2026. A manifestação foi protocolada em 24 de março, um dia antes de o juiz Guilherme Cavalcanti intimar o clube a se explicar e advertir sobre a possível nomeação de um interventor judicial.
De acordo com o administrador judicial, os extratos bancários indicam entradas de R$ 213.414.738,29 no mês, enquanto o relatório entregue pelo clube apontava R$ 64.202.368,75. Ao justificar a discordância, a diretoria alvinegra afirmou que a divergência é “apenas aparente” e decorre da separação entre receitas operacionais, não operacionais e valores que poderão ser quitados em modalidades especiais de pagamento, como o leilão reverso previsto no RCE.
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Componentes da diferença
O parecer técnico que apontou a inconsistência listou três grupos de valores excluídos pelo Corinthians do cálculo de rateio:
- operações financeiras: R$ 76.878.105,68;
- transferências entre contas do próprio clube: R$ 65.508.053,90;
- negociação de atletas: R$ 6.826.209,79.
Segundo o clube, as operações financeiras referem-se a desbloqueios temporários junto a instituições bancárias para equilibrar fluxo de caixa; o montante retorna às mesmas instituições e não representa ganho efetivo. Já as transferências seriam simples movimentações internas, sem impacto no caixa líquido. Quanto às negociações de jogadores, o Corinthians planeja liquidar esses valores por meio do leilão reverso, mecanismo em que credores oferecem descontos para receber antecipadamente.
Postura do clube
Em nota, o Corinthians declarou ser “o maior interessado no êxito do RCE” e garantiu que mantém transparência total com o juízo, a administração judicial e a base de credores. O departamento financeiro informou ainda que toda a documentação solicitada vem sendo compartilhada em nuvem com o administrador judicial.
A decisão assinada pelo juiz Guilherme Cavalcanti em 25 de março determinou a intimação do clube e alertou que a persistência de inconsistências ou a negativa de documentos pode resultar na nomeação de um observador ou interventor para garantir a lisura do processo.
O Corinthians reforçou que os esclarecimentos protocolados antes da decisão serão novamente levados ao conhecimento do magistrado. A agremiação também repudiou comentários de influenciadores que, na visão do clube, geram alarme indevido entre torcedores.
Até o momento, a Justiça não se manifestou sobre a nova petição apresentada pela diretoria alvinegra.

