A Confederação Brasileira de Futebol detalhou, na terça-feira (11), no Rio de Janeiro, a proposta inicial do Fair Play Financeiro que entrará em vigor no país a partir de 2026. O texto prevê a criação de um órgão independente para fiscalizar o cumprimento das regras e aplicar sanções.
Segundo a CBF, o comitê deverá ser constituído até o início de 2026 e contará com profissionais do mercado, em formato semelhante ao da Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD).
📖 Leia Também
Exigência de independência técnica
Especialistas apontam a autonomia do órgão como condição para a credibilidade do sistema. O economista Cesar Grafietti afirma que decisões técnicas, fundamentadas no regulamento e tomadas com rapidez, são essenciais para a eficácia do modelo. Ele lembrou que, na Europa, entidades como o CFCB da Uefa e painéis independentes da Premier League adotam estrutura semelhante.
A advogada Ana Mizutori reforça que a independência é decisiva para transformar o regulamento em prática. Ela citou resultados obtidos na Inglaterra, Espanha e outros mercados, onde punições aplicadas aumentaram a transparência e reduziram dívidas.
Para o advogado especializado em conformidade Andrei Kampff, o Fair Play Financeiro “é mais do que um mecanismo econômico; é uma política de integridade”. Ele ressalta, porém, que a efetividade depende da autonomia real do comitê.
Sanções previstas e implantação gradual
O regulamento prevê aplicação escalonada de multas, proibição de contratações, perda de pontos e até rebaixamento para clubes que descumprirem as regras. A adaptação ocorrerá de forma gradual, permitindo adequação das equipes às novas exigências.
O modelo se inspira nas cinco principais ligas europeias — Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França —, mas traz ajustes à realidade econômica do futebol brasileiro. Entre os pontos de controle estão endividamento público, pendências entre clubes e gestão de gastos.
Histórico e próximos passos
Há dez anos, a CBF chegou a adotar um sistema que previa perda de pontos por atraso salarial, mas as punições foram raras. O novo formato é mais amplo e inclui mecanismos internos de decisão, com expectativa de maior eficácia.
A versão final do regulamento será divulgada em 26 de novembro, durante o Summit CBF Academy.


