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SAF do Botafogo afasta influência de Textor e publica nota dura contra ex-gestor
Pouco mais de quatro anos após a compra da SAF do Botafogo por John Textor, a empresa que administra o futebol do clube formalizou, na quinta-feira, o rompimento público com o empresário norte-americano e fez críticas severas à sua gestão, citando “absoluto descompromisso”.
Há cerca de 20 dias, mesmo após o afastamento de Textor determinado pelo Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a SAF tinha mantido uma postura pública de apoio ao americano. Na ocasião da decisão da FGV, a empresa divulgou nota afirmando que a remoção de Textor “sido determinada sem requerimento específico das partes” e sinalizou que tomaria medidas para buscar a revisão da decisão.
Mesmo sem estar oficialmente no comando, Textor manteve presença próxima ao clube: viajou a Brasília para acompanhar o jogo contra o Internacional e passou a exercer influência política por meio de Durcesio Mello, seu aliado e ex-representante do clube social na SAF. Durcesio chegou a ser apontado diretor-geral interino pelo Conselho de Administração, órgão que até a última quinta-feira ainda contava com membros ligados ao americano.
O quadro mudou na manhã de quinta-feira, quando Eduardo Iglesias foi nomeado diretor-geral em Assembleia Geral Extraordinária. Iglesias é visto como importante aliado de João Paulo Magalhães Lins, presidente do Botafogo associativo. A indicação de Durcesio foi rejeitada pelo clube social, que deteve o voto único na assembleia, e João Paulo Menna Barreto assumiu como representante do Botafogo de Futebol e Regatas no Conselho.
Sem o que a nova direção considera resquícios da influência política de Textor na estrutura administrativa, a SAF divulgou nota na qual disse que “a condução adotada pela Eagle Football e por John Textor revelou absoluto descompromisso com a estabilidade financeira e institucional da SAF Botafogo, contribuindo diretamente para o agravamento da crise enfrentada pelo clube e para o cenário de extrema fragilidade que tornou inevitável o ajuizamento da Recuperação Judicial”.
Fontes ouvidas pela reportagem disseram, porém, que o tom crítico não é unanimidade interna. Dirigentes envolvidos no processo de recuperação judicial entenderiam ser necessário demonstrar distanciamento em relação à gestão anterior. Nos bastidores, o clima apontaria para um rompimento definitivo entre o clube e o empresário.
Segundo apuração, Textor foi pego de surpresa com as críticas públicas da SAF. Aliados do americano interpretaram a não confirmação de Durcesio como quebra de um acordo prévio entre a SAF e o clube social, representado por João Paulo Magalhães Lins. Na madrugada seguinte às mudanças, Textor publicou post em apoio a Durcesio, afirmando que “a verdade nunca se esconde por muito tempo” e declarando que a história “não terminou”.
O Botafogo volta a campo às 16h (horário de Brasília) do próximo domingo, quando enfrenta o Corinthians pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro.