O Corinthians começou a quitar dívidas incluídas no Regime Centralizado de Execuções (RCE), mas o montante em aberto aumentou e atinge R$ 224,9 milhões, segundo levantamento do clube.
Pagamentos e evolução do saldo
O acordo judicial do RCE foi homologado em janeiro de 2026 e os pagamentos tiveram início em março, com base em percentuais sobre receitas recorrentes do mês anterior. Nas duas primeiras parcelas, o clube desembolsou R$ 5,2 milhões — R$ 2,5 milhões na primeira e R$ 2,6 milhões na segunda.
Apesar dos depósitos, a dívida cresceu por efeito de atualização monetária, especialmente pela correção pela taxa Selic. Em março, antes do primeiro pagamento, o débito corrigido havia alcançado R$ 227,9 milhões; após a primeira parcela caiu para R$ 225,3 milhões. No mês seguinte, a aplicação de juros elevou o saldo para R$ 227,6 milhões e, depois da segunda parcela, o total ficou em R$ 224,9 milhões.
Histórico das listas apresentadas
Em abril de 2025 a diretoria havia informado R$ 190,8 milhões referentes a dívidas em fase de execução judicial; em setembro desse ano esse valor subiu para R$ 192,7 milhões.
Credores e processos
O RCE reúne 32 processos judiciais relacionados a 23 credores. Entre os maiores credores está o empresário Giuliano Pacheco Bertolucci, com saldo superior a R$ 76,9 milhões.
Também constam na lista empresas do mercado esportivo, agências de intermediação e fornecedores.
Dez maiores credores do Corinthians no RCE
1. Giuliano Pacheco Bertolucci — R$ 76.961.241,59
2. Talents Sports Ltda — R$ 24.911.765,35
3. Fair Play Football Association Participações Ltda — R$ 21.844.210,62
4. Pixbet Soluções Tecnológicas Ltda / Pixstar Brasilian N.V — R$ 20.083.089,42
5. RC Consultoria e Assessoria Esportiva Ltda — R$ 13.862.199,53
6. Link Assessoria Esportiva e Propaganda Ltda — R$ 13.253.064,12
7. Bertolucci Assessoria e Propaganda Esportiva Ltda — R$ 11.417.832,14
8. Pro Futebol Assessoria Administrativa Ltda — R$ 9.511.492,49
9. Andre Cury Marduy — R$ 8.317.526,14
10. Nacional Atlético Clube — R$ 6.989.283,81
Escopo do plano e prazos
O RCE tem valor global estimado em cerca de R$ 450 milhões, sendo que os R$ 191 milhões inicialmente divulgados referiam-se apenas aos processos já em execução judicial. O pacote inclui débitos com empresários, fornecedores, jogadores, direitos de imagem, assessorias esportivas e prestadores de serviço.
O plano não abrange dívidas tributárias nem o financiamento da Neo Química Arena com a Caixa Econômica Federal. O acordo prevê prazo de dez anos para a quitação das pendências, com repasses progressivos das receitas recorrentes: 4% no primeiro ano, 5% no segundo e 6% a partir do terceiro.
Contexto financeiro do clube
A diretoria considera o RCE ferramenta central para reorganizar as finanças e reduzir bloqueios em contas, oferecendo previsibilidade para o planejamento. Atualmente, a dívida bruta do Corinthians é estimada em cerca de R$ 2,7 bilhões.