Em 1986, um gol polêmico e outro genial mudaram o futebol para sempre. Quarenta anos depois, a partida entre Argentina e Inglaterra ainda simboliza muito mais do que uma vitória dentro de campo.
Em 1986, a Argentina venceu a Inglaterra por 2 a 1 nas quartas de final da Copa do Mundo, e esse jogo se tornou um marco na história do futebol argentino. A narração emocionada do uruguaio Víctor Hugo Morales, ao descrever o segundo gol de Diego Maradona, ainda ressoa nas memórias dos torcedores: “É para chorar, me perdoem! Maradona, em uma arrancada memorável, na jogada de todos os tempos… Obrigado, Deus, pelo futebol, por Maradona, por estas lágrimas, por este Argentina 2, Inglaterra 0”.
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Quarenta anos depois, a partida continua sendo vista como algo muito maior do que um simples confronto esportivo. O duelo, que ocorreu em 22 de junho de 1986, é lembrado não apenas pelo contexto futebolístico, mas também pela rivalidade histórica com os ingleses e pela Guerra das Malvinas, que deixou profundas cicatrizes na sociedade argentina.
Os dois gols mais famosos de Maradona, a “Mão de Deus” e o “Gol do Século”, são símbolos da identidade nacional. A importância do jogo foi discutida por jornalistas argentinos, como Ezequiel Fernández Moores, que acompanhou a partida diretamente do Estádio Azteca, no México. Para ele, o confronto encapsula características que os argentinos enxergam em si mesmos: “A picardia, a intuição e, depois, a beleza, a arte”.
Martín Macchiavello, do Diario Olé, ressalta que o primeiro gol, marcando a mão de Maradona, é uma expressão de rebeldia: “A ‘Mão de Deus’ foi uma burla ao regulamento. Justamente ao regulamento criado pelos ingleses”. Essa visão é reforçada por um ditado popular argentino: “Feita a lei, feita a trapaça”. Para Macchiavello, essa malandragem é uma parte intrínseca da cultura argentina.
A carga emocional do confronto está intimamente ligada à Guerra das Malvinas, que ocorreu entre Argentina e Reino Unido em 1982. O conflito, que durou pouco mais de dois meses e terminou com uma vitória britânica, gerou um sentimento de vingança que permeou a partida de 1986. Macchiavello recorda que até as crianças sentiam essa pressão emocional, e que havia uma necessidade coletiva de vencer por causa das Malvinas.
Finalmente, Wally Primosich destaca que a combinação entre o talento de Maradona e o contexto histórico das Malvinas faz desse jogo um evento único na cultura argentina. O impacto desse confronto transcendeu o futebol e se estabeleceu como um símbolo da identidade nacional.



