O volante Zanocelo falou sobre o processo de recuperação da lesão no joelho e revelou ter sido submetido três vezes a um procedimento chamado BMA durante entrevista coletiva realizada no Ceará nesta quinta (3). O jogador descreveu o tratamento como “muito invasivo” e afirmou que houve muita dor durante as aplicações.
O BMA é a sigla em inglês para Bone Marrow Aspirate, ou aspirado de medula óssea. O procedimento consiste na retirada de material da parte interna do osso, onde estão presentes diferentes tipos de células e substâncias biologicamente ativas, que podem participar dos processos de reparação dos tecidos.
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Como funciona o procedimento
“Ele consiste em retirar sangue de dentro da medula óssea, na parte interna do osso, onde estão presentes células-tronco ou células mesenquimais, além de diversas outras substâncias com potencial anti-inflamatório e regenerativo. Essas células teriam a capacidade de se diferenciar em linhagens celulares como osso, cartilagem, músculo, tendão e ligamentos”.
Daniel Gomes, ortopedista e cirurgião de joelho, explicou que a medula óssea é um tecido localizado no interior dos ossos responsável pela produção dos componentes do sangue e que o aspirado contém elementos com potencial para favorecer biologicamente a cicatrização.
O racional por trás do tratamento
“Nesse contexto, o racional para a utilização do BMA seria tentar criar um ambiente biológico mais favorável ao processo de cicatrização que já estava acontecendo naturalmente”.
O especialista ressaltou, porém, que ainda não há evidência científica suficiente para afirmar que o BMA, isoladamente, acelere a recuperação de uma lesão ligamentar como a de Zanocelo. No ambiente de alto rendimento, tratamentos com base biológica atraem interesse pela possibilidade de otimizar a reabilitação, mas a distinção entre potencial teórico e comprovação clínica foi enfatizada.
“Existe um racional biológico para tentar favorecer ou eventualmente acelerar a recuperação, porém ainda não temos evidência científica suficiente para afirmar que o BMA, isoladamente, seja responsável por acelerar a cicatrização de uma lesão ligamentar desse tipo”.
Você pode gostarPatrocinado · MGIDO médico também informou que a técnica vem sendo utilizada por atletas no Brasil e no exterior, incluindo variantes como o BMAC, que é a forma centrifugada e concentrada do aspirado. Fora do esporte, o uso do BMA tem sido aplicado em casos como artroses, lesões de cartilagem e de tendão, com estudos apontando melhora de dor e função, embora sejam necessários mais trabalhos sobre os processos de regeneração tecidual.
A lesão de Zanocelo ocorreu no dia 6 de maio, quando o Ceará enfrentou o Vitória pela Copa do Nordeste. Em uma dividida com Ramon, da equipe baiana, o jogador sofreu uma lesão ligamentar no joelho. A previsão inicial era de recuperação em cerca de quatro meses.
“A gente aqui optou por fazer o tratamento BMA, que você tira a medula óssea e coloca no joelho, que é um tratamento muito invasivo, de muita dor. A gente fez três vezes, e toda a força que os médicos me deram nesse processo, os fisios…”
“Nesses quatro meses eu praticamente abri mão da minha vida para me recuperar o mais rápido possível. Eu sempre estava fazendo alguma coisa, seja aqui no clube, em dois períodos, em casa. Eu estava sempre com alguma coisa na perna para evoluir, para melhorar. Eu acho que todo esse trabalho valeu a pena. O retorno era para ser feito no fim de outubro, e jogar em agosto para mim é muita gratidão”.
Zanocelo esteve em campo na derrota do Ceará para o Vila Nova, no último domingo (30), por 2 a 0. O volante entrou no intervalo e disputou os 45 minutos do segundo tempo na partida válida pela 25ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. O Ceará volta a campo neste sábado (5), contra o Sport, pela 26ª rodada da Série B, em jogo na Arena Castelão às 18h30.



