O zagueiro de 21 anos ganhou a vaga no início do mês e marcou um gol contra o São Paulo. Antes dos jogos ele desliga o celular no hotel, não bebe álcool e evita refrigerante — disciplina atribuída aos pais.
O zagueiro Wallace, de 21 anos, ganhou espaço rapidamente no Grêmio após se tornar titular no início do mês e manter a posição nas últimas partidas. Autor de um gol contra o São Paulo, o defensor se destaca não só pelo rendimento em campo, mas também por uma rotina de preparação rigorosa: ele desliga o celular ao chegar ao hotel antes dos jogos, evita bebidas alcoólicas e não consome refrigerante.
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A disciplina herdada da criação familiar
A disciplina do jogador, apontada como herança da criação familiar — o pai, Valério, é militar, e a mãe, Angélica, é lembrada na numeração 82 da camisa — aparece em hábitos como chegar uma hora antes dos treinos para trabalhos físicos preventivos e frequentar a academia mesmo após as atividades de campo. A prática de desligar o celular também vinha do período em que estava no CRB.
Antes de o Grêmio buscar o zagueiro, o Bragantino havia feito proposta ao CRB e mantinha negociações em andamento, o que indica que Wallace já despertava interesse de outros clubes da Série A. Posteriormente, o Tricolor passou à frente nas tratativas ao apresentar condições ao clube alagoano.
A confiança conquistada na comissão técnica
Internamente, o desempenho do jogador acelerou a confiança da comissão técnica. No entanto, neste domingo há dúvida sobre quem atuará ao lado de Wallace na defesa: Gustavo Martins está machucado e Kannemann segue suspenso. O jovem tem rotinas de concentração que incluem avisar familiares e pessoas próximas de que ficará incomunicável durante a estadia em véspera de partidas.
“Refrigerante não bebe de jeito nenhum, bebida alcoólica nem precisa falar. Não é só o celular que ele desliga, não. Ele concentra mesmo. Concentração é concentração. Como se estivesse desligando do mundo. Isso é uma coisa que ele faz como se fosse primordial”, revelou o empresário Wesley Moura.
O comportamento e a simplicidade do defensor também se manifestaram fora do campo: na fase anterior da carreira, quando passou por momentos de instabilidade, ele chegou a morar por cerca de um mês na casa da mãe de um conhecido ligado ao empresário, ajudando nas tarefas domésticas enquanto aguardava definição sobre o futuro. A trajetória inclui passagem pelo Santa Cruz, clube que o dispensou, e posterior destaque no CRB.
O sucesso no CRB gerou ganhos financeiros que resultaram em bônus para funcionários das categorias de base e, segundo relato, doações de aparelhos de ar-condicionado para o centro de treinamento do clube alagoano. No Grêmio, a recepção ao jogador foi percebida como positiva e o zagueiro recebeu, nos vestiários, o apelido de “Cortez” ou “Cortezinho” por semelhança com o ex-lateral que foi campeão pelo clube e hoje trabalha nas divisões de base.
“A gente só recebe feedback positivo da pessoa que é o Cortez. Quando eu cheguei, todo mundo chamando de Cortezinho. Carrega o respeito em primeiro lugar e ganhou muitas coisas no Grêmio, é bom ser comparado e as pessoas dizerem que tu parece com esse cara”, disse Wallace no media day do Grêmio.
Em campo, as credenciais do zagueiro continuam a aparecer e apontam, por ora, para um futuro promissor. A combinação de disciplina fora de campo e desempenho em partidas tem sido determinante para sua consolidação como opção regular na defesa gremista.


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