Max Verstappen classificou como “absurdo” o nível de economia de energia exigido pelos novos carros da Fórmula 1 e alertou que, em circuitos com retas longas, os pilotos podem ser forçados a frear antes mesmo do ponto de frenagem tradicional.
Com o aumento da participação do sistema elétrico na unidade de potência, a administração da bateria tornou-se decisiva para o rendimento. Quando o armazenamento se esgota, a velocidade final cai, obrigando os competidores a recorrer ao lift and coast — soltar o acelerador e deixar o carro rolar por alguns instantes — para recarregar e voltar a usar a energia na saída das curvas.
📖 Leia Também
Lewis Hamilton, britânico da Ferrari, revelou que chegou a percorrer cerca de 600 metros em lift and coast na volta de 4,657 km do Circuito de Barcelona. Questionado em coletiva no Bahrein, Verstappen confirmou a prática e mostrou preocupação.
“Se a eficiência nas retas já é baixa aqui, imagina em outros lugares. Em pistas como Melbourne ou Monza será um desastre total”, afirmou o holandês da Red Bull. Ele citou ainda Spa e a reta de dois quilômetros da Strip, em Las Vegas. “Talvez lá a gente tenha de frear no meio da reta porque a energia vai acabar. Agora eu rio, mas não faz sentido”, acrescentou.
Verstappen disse não saber se a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e a administração da categoria têm plena noção do problema. “Talvez ainda não tenham percebido o quanto isso será ruim. Vamos ver”, comentou. Segundo ele, o Bahrein é “administrável”, mas a real dimensão ficará clara na etapa de Melbourne.
Outros pilotos demonstraram desconforto, embora em tom mais brando. O ex-companheiro de Verstappen na Red Bull, Sergio Pérez — hoje na Cadillac —, descreveu a situação como “longe do ideal”. Liam Lawson, da Racing Bulls, teve dificuldade para dizer o quanto é prazeroso guiar o novo carro. Já o atual campeão mundial Lando Norris, britânico da McLaren, chamou o desafio de “bom e divertido” e negou ter recorrido ao lift and coast.
O debate sobre o impacto das regras de motorização deve ganhar força ao longo da temporada, especialmente em circuitos de alta velocidade.


