Disputa na primeira volta, na curva 4, gerou toque: Leclerc recuperou a ponta pela grama e Hamilton caiu de rendimento. O incidente provocou críticas internas na Ferrari e abriu caminho para a vitória de Verstappen.
O clima ficou tenso na Ferrari após o GP do México, realizado neste domingo. A sequência começou no treino classificatório, com Lewis Hamilton garantindo a pole e Charles Leclerc largando em terceiro. Ainda na primeira volta da corrida houve uma disputa pela liderança: Leclerc tentou a ultrapassagem por fora na curva 4 e houve um toque entre os carros, ação que acabou influenciando o desfecho da prova.
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Leclerc recuperou a primeira posição cortando pela grama, enquanto Hamilton perdeu o controle e foi ultrapassado por Max Verstappen, que cruzou a linha de chegada em primeiro lugar. Leclerc recebeu uma punição de cinco segundos por não devolver a posição, penalização que, ao entrar nos boxes, deixou a liderança praticamente entregue à Red Bull. No resultado final, Verstappen terminou em primeiro, Hamilton em segundo e Leclerc em quarto.
Ao final da corrida, o chefe da equipe Fred Vasseur criticou a postura adotada na disputa pela posição e demonstrou frustração com o que considerou um erro que custou a vitória. Em suas declarações, o dirigente destacou a importância do respeito entre pilotos e a responsabilidade coletiva do time.
“É uma questão de respeito”, afirmou Vasseur, em referência ao confronto entre os pilotos e ao prejuízo à equipe.
Em outro trecho de sua manifestação, Vasseur ressaltou o impacto do incidente no trabalho da equipe e fez referência ao desempenho recente que havia criado expectativa de vitória.
“Sinceramente, estou um pouco frustrado, porque acho que demos um passo importante em termos de desempenho nas últimas duas provas, e fizemos dobradinha na curva 4. Não me lembro da última ultrapassagem no México, talvez no final dos anos setenta”, disse Vasseur.
A tensão entre os pilotos não começou no México. A briga entre Leclerc e Hamilton já vinha de outras etapas da temporada: no GP da Holanda, Leclerc teria segurado Hamilton por longo período; na Itália, a relação azedou quando Leclerc jogou o companheiro para fora da pista na largada — episódio que o próprio monegasco reconheceu como excessivo — e houve também uma grande batalha na China.
Durante a corrida no México, Hamilton manifestou descontentamento por rádio e cobrou ações nos bastidores para endereçar o problema.
“Precisamos ter conversas sérias nos bastidores”, declarou Hamilton, acrescentando que Leclerc “precisa ter maturidade”.
“Acho que o mais importante a lembrar, e que talvez venha com a idade, é que cada decisão que você toma no carro impacta todas as pessoas que trabalham nos bastidores para toda a equipe”, complementou o piloto.
Leclerc, por sua vez, admitiu que mereceu a punição, mas buscou contextualizar o incidente como parte das disputas em pista. O monegasco afirmou que nenhum dos dois executou a curva corretamente e justificou a tentativa de manter a posição diante da presença de um carro da Red Bull em segundo lugar.
“Acho que nenhum de nós conseguiu fazer a curva direito. Não sei se o objetivo do Lewis era que eu ficasse com o terceiro lugar, mas, tendo um Red Bull em segundo, achei que valia a pena tentar manter a posição e ver o que acontecia. Foi o que eu fiz”, declarou Leclerc.
Ele também lembrou que incidentes desse tipo fazem parte das corridas e que, quando se luta por uma vitória, disputas mais duras acontecem em pista.

