Em 2020, o então secretário especial da Cultura, Roberto Alvim, transmitiu em rede nacional um pronunciamento no qual declarou que “a arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional […] ou então não será nada”. A frase, quase idêntica à usada pelo ministro da Propaganda nazista Joseph Goebbels nos anos 1930, foi acompanhada de cenografia e trilha consideradas alusivas ao regime de Adolf Hitler.
Paralelos históricos
No discurso original, Goebbels afirmou que “a arte alemã da próxima década será heroica, será ferrenhamente romântica […] ou então não será nada”. A semelhança entre as duas declarações levou a protestos de entidades culturais, partidos políticos e organizações judaicas no Brasil. Alvim acabou demitido após a repercussão negativa.
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Ofensiva contra manifestações artísticas
O episódio reforçou a avaliação de que setores de extrema direita priorizam o controle do espaço cultural. Movimentos alinhados ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump já organizaram campanhas contra programas de televisão críticos ao republicano. Entre os alvos, apresentadores como Jimmy Kimmel foram pressionados nas redes sociais.
Líderes conservadores, a exemplo do comentarista americano Charlie Kirk, também difundem a ideia de que “mulheres devem se submeter a seus maridos”, mensagem repetida em podcasts e eventos para simpatizantes.
Disputa por orçamento
No Brasil, a discussão sobre o peso da cultura no projeto de país aparece no orçamento federal. Dados oficiais indicam que o Ministério da Cultura dispõe de aproximadamente R$ 4 bilhões, enquanto a Defesa recebe cerca de R$ 133 bilhões. Outras pastas com menor dotação são Direitos Humanos (cerca de R$ 400 milhões), Mulheres (R$ 250 milhões) e Igualdade Racial (pouco mais de R$ 200 milhões).
Leituras acadêmicas
O professor de filosofia Vladimir Safatle classificou a extrema direita como “a única força insurgente em atividade hoje”, afirmando que o grupo entende a relevância simbólica da cultura na formação social.
Os episódios envolvendo Alvim no Brasil e apoiadores de Trump nos Estados Unidos reforçam a percepção de que a arte costuma ser a primeira trincheira em disputas ideológicas contemporâneas.


