A rivalidade entre Argentina e Inglaterra já se estabelecia em 1966, muito antes dos icônicos momentos protagonizados por Diego Maradona e das tensões geradas pela Guerra das Malvinas. O embrião dessa rivalidade remonta à Copa do Mundo de 1966, na qual os ingleses foram anfitriões e campeões, e teve um papel central o então capitão argentino, Antonio Rattin, que faleceu recentemente.
O confronto entre as seleções ocorreu nas quartas de final, no dia 23 de julho de 1966, no estádio de Wembley. Durante a partida, Rattin se envolveu em intensas discussões com o árbitro alemão Rudolf Kreitlein, que, naquela época, ainda não utilizava cartões amarelos ou vermelhos. O jogador argentino foi expulso verbalmente após protestar contra decisões que considerou injustas.
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“Aquele cara estava dando tudo para eles: escanteios, faltas. Ele até inventava toques de mão. Tudo para o time da casa. Então mostrei a ele minha braçadeira de capitão e pedi um intérprete para me explicar”, recordou Rattin em entrevista de 2016.
O episódio não apenas marcou a trajetória de Rattin, mas também simbolizou o início de uma intensa rivalidade. Depois de sua expulsão, o jogador se sentou no tapete vermelho da Rainha Elizabeth II, que não estava presente no estádio, e, em seguida, fez um gesto provocador ao torcedor inglês ao amassar uma bandeira britânica.
“Enquanto caminhava, vi os torcedores jogando chocolate. Eu abria a embalagem, mastigava e jogava de volta. Quando cheguei perto da bandeira, não resisti e a torci na mão, desafiando os torcedores”, relatou Rattin, que posteriormente teve que sair rapidamente do campo devido à hostilidade dos fãs.
Esse incidente ficou marcado na história do futebol e resultou em mudanças nas regras da FIFA. A partir da Copa do Mundo de 1970, no México, a entidade introduziu o uso de cartões amarelo e vermelho, em parte, devido ao comportamento de Rattin.
Malvinas e Maradona
A rivalidade alcançou novos patamares na década de 1980, especialmente após a Guerra das Malvinas em 1982, que deixou profundas cicatrizes em ambos os países. O conflito durou três meses e resultou em significativas perdas humanas. A ferida aberta pela guerra continua a ser um tema sensível e é frequentemente debatido na Argentina.
O reencontro em campo ocorreu em 1986, também nas quartas de final da Copa do Mundo, no Estádio Azteca. Maradona, em uma atuação memorável, abriu o placar com o famoso gol da “Mão de Deus”, seguido de outro gol incrível, levando a Argentina à vitória por 2 a 1 e à conquista do título mundial.
As seleções se enfrentaram novamente em 1998, com um empate em 2 a 2 no tempo normal, culminando em uma vitória argentina por pênaltis. Em 2002, a Inglaterra se vingou na fase de grupos, vencendo por 1 a 0 com um gol de David Beckham. A rivalidade, com suas nuances históricas e emocionais, permanece uma das mais intensas do futebol mundial.


