O Rayo Vallecano, clube da periferia de Madri fundado em 1924, disputa nesta quarta-feira, 27 de maio de 2026, a final da Liga Conferência contra o Crystal Palace, em Leipzig, na Alemanha. A partida começa às 16h (horário de Brasília) e pode render ao time sua primeira taça europeia na centenária trajetória, apenas na segunda participação do clube em competições continentais.
Estável na primeira divisão espanhola desde a temporada 2018/19, o Rayo vem registrando suas melhores campanhas: terminou em oitavo lugar na La Liga nas duas últimas temporadas e alcançou a vaga na decisão após eliminar adversários da Turquia, da Grécia e da França nas fases de mata-mata.
Apesar do sucesso esportivo, a relação entre a torcida e o proprietário Raúl Martín Presa permanece conflituosa. Críticos apontam que o empresário, que adquiriu o clube em 2011, defende a mudança do time para outro local em Madri e a construção de um estádio mais moderno, enquanto torcedores acusam a diretoria de negligenciar o atual estádio em Vallecas, de não investir adequadamente nas instalações e nas categorias de base e até de sabotar o clube.
O descontentamento atingiu o ápice em fevereiro de 2026, quando o Rayo foi obrigado a mandar o jogo contra o Atlético de Madrid em Leganés devido às más condições do gramado. Outra reclamação recorrente é a ausência de venda de ingressos por meios digitais, fato que gera longas filas nas bilheterias de Vallecas em partidas de maior procura, como a final diante do Crystal Palace.
O Rayo também é conhecido por seu posicionamento progressista e por raízes na comunidade operária de Vallecas. O clube foi criado por um grupo de jovens em 1924; entre os primeiros presidentes estiveram o guarda civil Julián Huerta Priego e o comerciante José Montoya Arribas. Teresa Rivero — que presidiu o clube entre 1994 e 2011, sucedendo o marido José María Ruiz-Mateos — foi a primeira mulher a comandar um clube no futebol profissional espanhol, e o nome do estádio reflete essa trajetória.
As manifestações políticas e sociais marcam as arquibancadas: faixas antirracistas, antifascistas e contra a mercantilização do futebol são frequentes, e os Bukaneros — a principal torcida organizada, presente há mais de 30 anos — desempenham papel central nessas mobilizações. Em 2017, a pressão dos torcedores impediu a contratação do ucraniano Roman Zozulya, acusado de proximidade com movimentos de extrema direita. Em outra ocasião, a visita do líder do partido VOX, Santiago Abascal, foi seguida por protestos e por uma ação da organizada para deixar claro que o político não era bem-vindo.
O ex-goleiro nigeriano Wilfred Agbonavbare, que atuou pelo clube na década de 1990 e sofreu episódios de racismo, é lembrado como símbolo de resistência: o clube homenageou o jogador com um mural e mantém mensagens contra o racismo nas paredes da arena.
No campo, a equipe busca manter o estilo que a colocou na decisão. O treinador Iñigo Pérez, de 38 anos, assumiu o cargo em fevereiro de 2024, após a saída de Andoni Iraola para o Bournemouth, onde o ex-técnico também teve sucesso e classificou o clube inglês para a Liga Europa. Entre os destaques do elenco está o atacante brasileiro Alemão, ex-Internacional, autor de quatro gols nas fases de mata-mata — dois na vitória por 3 a 1 sobre o Samsunspor, nas oitavas, e outros dois que decidiram os jogos por 1 a 0 contra o Strasbourg, nas semifinais.
Na comparação de orçamentos, o Rayo encara outra realidade financeira: o clube espanhol gastou cerca de 68 milhões de euros em contratações na soma das últimas dez temporadas, enquanto o Crystal Palace investiu 150 milhões de euros apenas na janela da temporada 2025/26.
O vencedor da final, marcada para as 16h de Brasília em Leipzig, conquistará o primeiro título europeu de sua história e assegurará vaga na próxima edição da Liga Europa.

