A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ofereceu R$ 240 milhões anuais aos 20 clubes da Série B — cerca de R$ 12 milhões para cada um — em troca da transferência total dos direitos comerciais do campeonato. A medida, apresentada na semana passada, provocou divergências entre dirigentes da Liga Forte União (LFU) e acendeu alertas sobre possível conflito contratual.
Os acordos firmados pelos clubes com investidores da LFU garantem à liga a prerrogativa de negociar direitos de transmissão da Série B. Essa condição foi estabelecida quando as agremiações venderam entre 10% e 20% das cotas de TV. No primeiro ano de comercialização, porém, a receita generada — estimada entre R$ 160 milhões e R$ 170 milhões — ficou abaixo das expectativas, levando os times a recorrer à CBF.
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Em ata, 15 clubes autorizaram a confederação a negociar em seu nome. Goiás, Athletico-PR, Atlético-GO, Coritiba e Cuiabá recusaram a assinatura. A partir daí, surgiram questionamentos sobre eventuais penalidades previstas nos contratos da LFU.
Durante reunião realizada na sexta-feira (25), o CEO da LFU, Gabriel Lima, alertou que aceitar a proposta da CBF poderia expor os dirigentes a processos na esfera pessoal. Advogados mencionaram multas contratuais, posição reforçada pelo principal investidor da liga, Carlos Gamboa. O cenário abriu um racha: parte dos clubes pediu cautela, enquanto outros criticaram o tom da direção da LFU.
A CBF se declara disposta a reconhecer a fatia dos investidores nos atuais contratos, mas pretende assumir a gestão completa das transmissões. O acordo inclui o compromisso de manter o contrato com a ESPN, avaliado em R$ 50 milhões. Além da cota de TV, a entidade já arca anualmente com cerca de R$ 70 milhões em despesas de logística e arbitragem na Série B.
Paralelamente, a LFU planeja criar, em 2027, uma liga unificada das Séries A e B. Pelo desenho inicial, 15% da arrecadação total ficaria com a Segunda Divisão, possibilidade que poderia elevar a distribuição a aproximadamente R$ 300 milhões — condição dependente de aprovação dos clubes da elite.
Até o momento, não há definição sobre qual modelo prevalecerá. Reuniões entre CBF, LFU e clubes devem continuar nas próximas semanas na tentativa de conciliar interesses e esclarecer riscos legais.


