Comissão independente considerou o Manchester City culpado por 114 violações financeiras. A Premier League agora avalia punições — de multa e perda de pontos a suspensão ou expulsão. A retirada de títulos, porém, é incerta.
O Manchester City já foi considerado culpado por 114 violações financeiras cometidas durante o período de maior transformação do clube. Após o veredito de uma comissão independente, começa uma nova etapa do processo: definir qual será a punição. Entre as alternativas previstas no regulamento da Premier League estão multa, perda de pontos, suspensão da competição e até expulsão da liga.
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Uma das dúvidas que ganhou força com a divulgação da decisão é se o clube pode perder títulos conquistados no período investigado. A resposta não é simples. O regulamento da Premier League não estabelece de maneira explícita que um clube condenado por infrações financeiras deva ter títulos anteriores retirados.
Ao mesmo tempo, as regras dão à comissão independente poderes amplos para determinar sanções e permitem a aplicação de outras penalidades esportivas além das listadas. Por isso, a retirada de títulos não é uma consequência automática da condenação e nem foi determinada até agora. O Manchester City ainda poderá recorrer do veredito, e a punição será discutida somente depois que essa etapa estiver resolvida.
O caso é um dos maiores já enfrentados pela Premier League. A investigação começou em dezembro de 2018, as acusações foram formalizadas em fevereiro de 2023 e a audiência da comissão independente durou 42 dias, encerrando-se em dezembro de 2024. O veredito foi divulgado apenas em setembro de 2026.
A comissão concluiu que o Manchester City utilizou contratos comerciais considerados fictícios para inflar artificialmente suas receitas e reduzir custos registrados nas contas do clube. A liga afirma que parte dos valores que apareciam como receitas de patrocínio era, na realidade, financiada pelo Abu Dhabi United Group (ADUG), grupo ligado à propriedade do clube. Segundo a comissão, esses mecanismos movimentaram mais de 900 milhões de libras entre as temporadas 2009/10 e 2017/18.
As informações financeiras eram utilizadas para verificar o cumprimento das regras de sustentabilidade da Premier League e dos regulamentos de Fair Play Financeiro da Uefa. A comissão também concluiu que o clube apresentou informações financeiras incorretas e tentou impedir o avanço da investigação da liga. Três das quatro acusações relacionadas à falta de cooperação com a liga foram consideradas procedentes.
O clube rejeita as conclusões, mantém que não cometeu as irregularidades apontadas e pretende recorrer. O City tem até 2 de outubro para apresentar o recurso. O processo de apelação será analisado por um conselho independente de três integrantes, que poderá manter ou alterar a decisão. Somente depois dessa etapa será definida a punição.

