A AFA decidiu não convocar menores que deixarem clubes argentinos por 'patria potestad' antes de assinar o primeiro contrato. A medida visa proteger clubes formadores e reduzir saídas precoces de talentos.
A Associação de Futebol da Argentina (AFA) adotou uma nova regra que pode influenciar a formação das próximas gerações das seleções nacionais. A entidade decidiu não convocar para as categorias de base atletas que deixarem clubes argentinos para atuar no exterior por meio da chamada ‘patria potestad’, antes de assinarem o primeiro contrato profissional.
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O termo ‘patria potestad’ corresponde, de forma aproximada, à autoridade parental exercida pelos responsáveis sobre menores de idade. No futebol, o mecanismo pode permitir que um jovem deixe o clube formador e se transfira para outro país sem que a equipe argentina tenha concordado com a saída, desde que sejam cumpridas as exigências previstas nas regras da Fifa para transferências internacionais de menores.
A decisão da AFA surgiu após casos recentes envolvendo jogadores das categorias de base. Um dos episódios mais repercutidos foi o de Luca Scarlato, então com 16 anos, que deixou o River Plate antes de assinar seu primeiro vínculo profissional e seguiu para o futebol italiano. A situação provocou reação do clube e ampliou a discussão sobre a saída de jovens talentos argentinos para a Europa.
Segundo a determinação oficial da entidade, atletas que utilizarem esse mecanismo para deixar seus clubes formadores não poderão ser chamados para as seleções de base. A medida foi aprovada pelo Comitê Executivo da AFA e tem como objetivo proteger os clubes que investem na formação dos jogadores.
A regra também ganhou destaque por causa de um nome histórico da seleção argentina: Lionel Messi. Aos 13 anos, o craque deixou o Newell’s Old Boys e se mudou para a Espanha, onde passou a integrar as categorias de base do Barcelona. O contexto da transferência, porém, foi diferente dos casos que motivaram a atual decisão da AFA.
Outros jogadores que passaram por situações relacionadas ao mecanismo chegaram à seleção principal posteriormente. Matías Soulé, por exemplo, deixou o Vélez Sarsfield e seguiu para a Juventus ainda nas categorias de base. Atualmente, o meia defende a Roma e faz parte do processo de renovação da equipe argentina.
A medida também abriu debate jurídico no país. Especialistas apontam que a AFA possui autonomia para estabelecer critérios de convocação, mas questionam quais seriam os limites caso um jogador ou sua família decidam contestar a determinação na Justiça. A discussão envolve interpretações sobre direitos dos menores, contratos de formação e as normas da Fifa para transferências internacionais.
A mudança acontece justamente em um período de transição para a seleção argentina. Com a despedida de Messi da seleção se aproximando, a equipe comandada por Lionel Scaloni começa a ampliar o espaço para novos jogadores. A restrição imposta pela AFA, portanto, pode ter impacto no caminho de jovens talentos que optarem por deixar o futebol argentino ainda antes de se profissionalizarem.
