Campeão mundial aos 19 e estrela do PSG, Mbappé colecionou gols e expectativas desde cedo. Falhas decisivas, concorrentes históricos e títulos de clube insuficientes ajudam a explicar a ausência do prêmio máximo.
Aos 19 anos, Kylian Mbappé já tinha conquistado a Copa do Mundo, marcado quatro gols naquele torneio — incluindo dois na vitória sobre a Argentina nas oitavas de final e outro na decisão contra a Croácia — e sido apontado como um dos grandes herdeiros do futebol mundial. A projeção era de uma trajetória repleta de recordes e premiações individuais, com a Bola de Ouro entre os objetivos anunciados desde a juventude.
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A formação em Clairefontaine, a passagem pelo Monaco e a transferência para o Paris Saint-Germain em 2017 por 180 milhões de euros integraram uma carreira observada com atenção desde cedo. No clube francês, Mbappé se consolidou como referência ofensiva, terminou temporadas como artilheiro e acumulou gols que reforçaram a expectativa de que o prêmio individual mais importante do futebol seria uma consequência natural de sua evolução.
No entanto, a Bola de Ouro não premia promessas acumuladas ao longo da carreira: o critério central é o desempenho no período avaliado, e a concorrência muda a cada edição. Apesar de ter sido protagonista em duas finais de Copa do Mundo e de ter empilhado gols por Paris Saint-Germain e Real Madrid, Mbappé ainda não recebeu o troféu. Quando a France Football anunciou os vencedores do prêmio em edições passadas, outros nomes apareceram à frente do francês.
Em 2018, por exemplo, apesar do impacto no Mundial e do título com a França, Mbappé viu Luka Modric ser premiado após conquistas importantes com o Real Madrid e uma campanha histórica com a seleção croata. A sequência de Messi e Cristiano Ronaldo no topo por uma década também coincidiu com o período de afirmação do francês, que precisou disputar espaço com uma geração que acumulou temporadas extraordinárias.
Outro fator apontado para a ausência da Bola de Ouro no currículo é a falta de um título coletivo incontestável em determinadas temporadas: nem sempre o conjunto de conquistas do clube convergiu com o desempenho individual ao ponto de tornar a candidatura de Mbappé irreversível. Agora, Mbappé chega à cerimônia de 26 de outubro com argumentos individuais expressivos, mas o Real Madrid terminou a temporada sem títulos importantes, enquanto concorrentes como Harry Kane e Lamine Yamal e outros jogadores podem apresentar conquistas coletivas que pesem na votação.
O cenário para a edição que será entregue em 26 de outubro combina, portanto, méritos individuais do atacante com a diferença que títulos coletivos costumam fazer na avaliação dos votantes. A dúvida que persiste é se os números e a influência em partidas decisivas serão suficientes para superar candidatos que apresentarem taças e campanhas coletivas relevantes no período avaliado.

