O jovem atacante brasileiro ainda não convence no Real Madrid como titular. Ancelotti aponta falhas defensivas e dificuldade de adaptação ao esquema tático como motivos para a reserva.
Carlo Ancelotti está adotando uma postura cautelosa ao não escalar Endrick como titular, pelo menos por ora. O treinador justificou sua decisão afirmando que um atacante mais avançado, como o ex-jogador do Palmeiras, precisaria realizar uma marcação mais intensa na saída de bola do adversário, algo que Endrick ainda não consegue executar com eficácia. O jovem atacante prefere recuar para buscar a bola, o que pode prejudicar sua posição defensiva ao tentar barrar os adversários.
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A versatilidade e a capacidade de improvisação de Endrick, embora sejam qualidades valiosas, não se encaixam na rigidez da “disciplina tática” exigida no futebol atual. Para entender a correção da escolha de Ancelotti, é pertinente relembrar um episódio histórico de 1994, quando Carlos Alberto Parreira optou por levar Ronaldo para a Copa do Mundo nos Estados Unidos, mesmo sem escalá-lo como titular. Essa decisão se provou acertada, pois permitiu que Ronaldo amadurecesse como jogador.
Durante os três amistosos que antecederam a convocação, Endrick mostrou grande potencial. “Jogava muito, não tinha como deixar de levá-lo para a Copa”, afirmou Parreira, referindo-se à sua decisão de convocar cinco atacantes, incluindo Romário, Bebeto, Müller e Viola. Contudo, Ronaldo não entrou em campo. O motivo era claro: Parreira precisaria ajustar o esquema tático, o que poderia comprometer o desempenho de Romário e Bebeto, que estavam em grande forma.
A experiência de Parreira foi fundamental para a formação de um grande jogador. Apesar de Ronaldo ter ficado decepcionado, ele nunca reclamou e, com o tempo, agradeceu pela decisão de ser preservado. Durante a Copa, Ronaldo frequentemente interagia com os jornalistas, brincando sobre a sua ausência em campo.
Acompanhei aquele mundial com o fotógrafo Marcos Rosa, e muitas vezes vimos Ronaldo à margem, aproveitando o momento e aprendendo com seus companheiros. A expectativa de que Endrick assuma o papel de salvador da seleção pode ser um erro, especialmente considerando que ele ainda está em desenvolvimento e não deve ser pressionado de forma desnecessária. Vale lembrar que Endrick não é Ronaldo, e a comparação, embora natural, pode gerar expectativas irreais.



