Mensagem em celular apreendido envolveu o jogador David Corrêa na Operação A Tropa, no ES. A frase teria sido resposta a foto de uma pistola enviada por um amigo apontado como ligado ao tráfico. A polícia analisa as conversas.
Uma mensagem encontrada em um celular apreendido colocou o atacante David Corrêa, do Vasco, no centro de uma investigação da Polícia Civil do Espírito Santo. Segundo o inquérito da Operação A Tropa, a frase teria sido escrita em resposta a uma fotografia de uma pistola encaminhada por um amigo de infância que foi apontado como integrante do tráfico.
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O contexto da investigação policial
As conversas foram analisadas no âmbito da ofensiva policial deflagrada para desarticular uma organização suspeita de tráfico interestadual de drogas e armas, além de lavagem de dinheiro. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados a atletas e investigados, e aparelhos eletrônicos foram recolhidos para perícia.
De acordo com as apurações, as mensagens apareceram no celular de Edson Vander da Silva Júnior, amigo de infância de David e apontado pela polícia como integrante do tráfico na cidade de Serra, na Região Metropolitana de Vitória. Em uma das trocas, após o envio da foto da pistola, estaria a resposta do atacante:
O teor das mensagens analisadas
“Tem que matar um para ver de qual é.”
Os policiais também localizaram comentários relacionados a uma tentativa de homicídio ocorrida em março de 2024. Ao receber informações sobre o ataque, o jogador teria afirmado que a vítima:
“mereceu tomar uns tiros mesmo”.
Você pode gostarPatrocinado · MGIDAs autoridades passaram a investigar se a relação entre os dois se restringia à amizade de infância ou se envolvia participação em atividades criminosas. Até o momento, não há comprovação pública de que David tenha participado do tráfico, da negociação de armas ou da tentativa de homicídio mencionada nas mensagens.
Além de David, o lateral-direito Hayner Monjardim — que pertence ao Santos e está emprestado ao Vila Nova — também foi alvo de mandados de busca e apreensão. Em ambos os casos, nenhum dos jogadores foi preso ou denunciado até agora. Agentes realizaram diligências nas residências e nos centros de treinamento dos atletas.
Entre os presos durante a operação está Edson, conforme as investigações. Ao todo, a ofensiva cumpriu quatro mandados de prisão temporária e 15 ordens de busca em endereços localizados no Espírito Santo, Rio de Janeiro, Goiás e Distrito Federal. As apurações incluíram a análise da movimentação financeira do grupo para identificar origem e destino de recursos e possíveis vínculos com facções criminosas.
O delegado Rodrigo Sandi Mori, chefe do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa da Serra, afirmou que Edson atuava como uma espécie de empresário informal do atacante, ajudando a administrar finanças do jogador, e que essa proximidade também passou a ser investigada. O Vasco informou que colaborou com as autoridades e aguardava a conclusão das investigações; o atacante deixou o centro de treinamento sem falar com jornalistas após as buscas. O Vila Nova declarou que Hayner negou envolvimento em atividades ilícitas e atribuiu as ações policiais a uma amizade de infância com um dos investigados. O Santos acompanhou o caso enquanto detém os direitos do lateral.
A Polícia Civil continuou a análise dos celulares e computadores apreendidos com o objetivo de esclarecer se as mensagens eram apenas conversas imprudentes ou indicavam ligação mais profunda entre os atletas e os suspeitos.

