A temporada 2026 da Fórmula 1 estreou com motores que entregam metade da potência por meio de energia elétrica, e as primeiras três etapas foram suficientes para expor uma divisão entre os pilotos. Enquanto nomes como Max Verstappen e Fernando Alonso criticam duramente o formato, outros defendem melhorias pontuais em vez de uma revisão completa das regras.
Classificação sob fogo cruzado
O ponto mais contestado é o treino classificatório. A dependência da recuperação de energia faz com que, ao tentar acelerar mais nas curvas para baixar o tempo, o competidor consuma bateria extra e acabe mais lento na linha de chegada. O assunto será o principal tema da reunião do Conselho de F1 marcada para esta semana.
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“Ainda guiamos foguetes”, diz Bortoleto
Questionado pelo UOL em Suzuka, o brasileiro Gabriel Bortoleto (Audi) lembrou que, apesar da menor carga aerodinâmica e da nova distribuição de potência, o carro continua extremamente veloz. “Não estamos dirigindo carros ruins; continuamos em foguetes. É divertido, só exige mais concessões”, explicou.
Para Esteban Ocon (Haas), a coragem ainda faz diferença, mesmo com a aderência inferior a 2025. Seu companheiro, Oliver Bearman, sente falta da sensação tradicional de saída de curva: “É estranho não ganhar toda a reta quando se traciona melhor”, resumiu.
Ferrari e Red Bull veem pontos positivos
Na Ferrari, o ambiente é menos crítico. Charles Leclerc admitiu que saiu dos testes receoso, mas se surpreendeu positivamente com as corridas. Ele reconhece algumas ultrapassagens artificiais, porém valoriza disputas em que os carros ficam lado a lado com níveis de bateria semelhantes.
Lewis Hamilton comparou a dinâmica atual ao kart, opinião compartilhada por Isack Hadjar (Red Bull). O francês destacou que hoje dois carros com ritmo idêntico conseguem trocar posições várias vezes, algo impensável em 2025, quando era preciso vantagem de até oito décimos para a manobra.


Imagem: Internet
Mais controle para o piloto
Apesar dos elogios pontuais, os pilotos querem ajustes no software que gerencia a parte elétrica. Atualmente, se o competidor altera o ritmo para atacar ou defender posição, o sistema pode priorizar a recuperação de energia na reta e deixá-lo vulnerável.
Ocon acredita que o aprendizado ao longo do ano tornará o processo mais natural, mas defende “pequenos detalhes” para evitar surpresas. Lando Norris (McLaren) sugere reduzir a “fome” de bateria, ampliando o tempo disponível de potência extra e devolvendo ao piloto maior influência nas ultrapassagens.
Reunião pode definir rumos
A expectativa é que o encontro desta semana aponte soluções que mantenham o espetáculo das disputas roda a roda, mas tornem a experiência mais gratificante para quem está ao volante. “Temos um equipamento com potencial fantástico”, resumiu Bearman.

