Pela quarta e penúltima vez em 2025, a Data Fifa interrompeu as principais competições de futebol. Na Europa, a pausa serve às Eliminatórias para a Copa do Mundo; na América do Sul e em outros continentes, aos amistosos de seleções – caso do Brasil. Os torneios das seis maiores ligas europeias (Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha, França e Portugal) terminaram no domingo, 5, e retomam apenas entre 17 e 18 de novembro; em Portugal, o retorno ocorrerá no dia 24.
Durante esse intervalo, elencos costumam receber de dois a cinco dias de folga, decisão que provoca críticas de parte da torcida, sobretudo quando o time já foi eliminado de competições ou ocupa as últimas posições. Profissionais de saúde esportiva, porém, defendem o período como fundamental para a prevenção de lesões e o equilíbrio psicológico dos atletas.
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Riscos para convocados, chances para não convocados
André Cunha, CEO e head de performance da Volt Sports Science, afirma que o momento pode ser “delicado” para quem viaja com a seleção. “O atleta enfrenta longos deslocamentos, fusos horários, métodos de treinamento diferentes e a pressão de representar o país. O essencial é recuperar, dormir bem e manter boa alimentação”, explica.
Para os jogadores que permanecem nos clubes, Cunha enxerga uma “janela de oportunidades” que varia conforme o cenário individual – minutos em campo, condição física ou presença de dores. “Há tempo de qualidade com a família, refresco psicológico e, se necessário, intervenções para gestão da dor”, diz.
Ajuste de carga evita lesões
Natanael Sousa, fisioterapeuta da Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física (Sonafe Brasil), ressalta que a pausa reduz a sobrecarga de partidas consecutivas. “O ideal é observar cada atleta: diminuir a carga de quem vem de sequência intensa e aumentar para quem precisa desenvolver valências físicas. Uma estratégia bem montada impacta diretamente no desempenho coletivo”, detalha.
Interciclo de recuperação
O médico Rodrigo Zogaib, coordenador de saúde do Santos, considera que a Data Fifa permite criar um “interciclo menor” dentro da temporada. “Com duas semanas entre jogos, conseguimos organizar carga de treinos e descanso de maneira diferente dos períodos com intervalos reduzidos”, aponta.
Visão da gestão de carreira
Claudio Fiorito, presidente da P&P Sport Management Brasil, lembra que o intervalo também serve para ajustes contratuais e planejamento de carreira. “Não é só descanso; é etapa estratégica para garantir que o atleta volte equilibrado e o clube esteja mais preparado para o restante do calendário”, afirma.
Palavra de quem está em campo
O zagueiro Vitor Reis, ex-Palmeiras e Manchester City e hoje no Girona, relata que, mesmo nos dias de folga, mantém treinos leves, controle de sono e dieta. “É um momento importante para recuperar energias e voltar melhor preparado para a sequência da temporada”, comenta.
Com o calendário europeu parado até a segunda quinzena de novembro, com exceção da Liga Portuguesa que retorna apenas no dia 24, clubes e profissionais de saúde aproveitam o intervalo para equilibrar cargas de trabalho, reduzir riscos de lesões e preservar a saúde mental dos atletas.

