Palmeiras e São Paulo divulgaram notas oficiais neste sábado (27) criticando a decisão do Flamengo de obter na Justiça do Rio de Janeiro uma liminar que suspende o repasse de R$ 77 milhões da Globo aos integrantes da Libra, bloco que negocia direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro.
O valor bloqueado corresponde à segunda parcela de um acordo válido para a edição de 2025. O primeiro depósito, de R$ 76,6 milhões, foi realizado em 25 de julho, e ainda restam duas parcelas a serem pagas.
📖 Leia Também
Palmeiras fala em “estratégia predatória”
Em sua manifestação, o Palmeiras classificou a medida do clube carioca como “predatória” e “torpe”, afirmando que a iniciativa busca “asfixiar financeiramente” outras agremiações da Libra, algumas em situação delicada, com o objetivo de arrancar vantagens individuais.
O clube alviverde ressaltou que, embora pudesse ser beneficiado por uma eventual redistribuição proposta pelo Flamengo, defende o crescimento coletivo do futebol brasileiro. O texto também recorda que a atual direção rubro-negra não assinou um manifesto da Libra contra o racismo, citado como exemplo de comportamento “prepotente e doloso”.
São Paulo também reage
Horas depois, o São Paulo, que atravessa dificuldades financeiras, reforçou a crítica. O comunicado do Tricolor aponta que a diretoria do Flamengo “parece não compreender que é responsável pelos contratos herdados” e afirma que a liminar “tem como intenção atrapalhar financeiramente o futebol brasileiro”, num momento em que os clubes necessitam dos recursos para custeio.
Entenda o impasse
A Libra reúne Atlético-MG, Bahia, Flamengo, Grêmio, Palmeiras, Red Bull Bragantino, São Paulo, Santos, Vitória, Paysandu, Remo, ABC, Guarani e Sampaio Corrêa. Em março de 2024, o bloco fechou com a Globo um contrato de quatro temporadas (2025-2029) avaliado em R$ 1,17 bilhão, além de 40% da receita líquida do pay-per-view.
Pelo acordo, a divisão das receitas do Brasileirão entre os clubes da Série A segue a fórmula 40% em partes iguais, 30% conforme a classificação final e 30% de acordo com audiência. O Flamengo contesta o modelo, alegando que o estatuto da Libra não garante a parcela relacionada à audiência e que, por isso, teria direito a valores superiores. Sem consenso após meses de debate, o clube optou por recorrer aos tribunais.
A liminar obtida no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro suspende o pagamento até que o mérito da ação seja julgado.

