Enquanto a IA automatiza tarefas, ofícios como restauração de arte, luteria e cerâmica artesanal ganham demanda. Especialistas dizem que autenticidade, materialidade e espontaneidade não são replicáveis por algoritmos.
No cenário atual, em que a Inteligência Artificial tem grande influência sobre o mercado de trabalho, algumas atividades manuais continuam a ser valorizadas. A restauração de obras de arte, a luteria, que envolve a construção e manutenção de instrumentos musicais, e a produção de cerâmicas personalizadas são exemplos de nichos que se destacam. Esses ofícios lidam com aspectos que a tecnologia ainda não consegue replicar, como o tempo, a materialidade e a espontaneidade.
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Segundo uma analista de Economia Criativa, a automação não consegue gerar autenticidade, criatividade e a experiência única que o trabalho manual proporciona. A sensibilidade artística e a identidade cultural dos profissionais são fatores que tornam esses serviços cada vez mais raros e valorizados no mercado.
“A IA automatiza processos, mas não conseguirá gerar autenticidade, criatividade e trabalho manual especializado. Para o artesanal contam muito a experiência, a sensibilidade artística e a identidade cultural de quem cria”, afirmou.
Mauro Bandeira, restaurador com 25 anos de experiência, destacou que seu ofício envolve especificidades que não podem ser substituídas pelo digital. Ele enfatizou a importância de decisões éticas e o conhecimento sobre materiais. “Restaurar é recuperar mantendo ao máximo o componente original. Além do intelecto, tudo precisa ser traduzido pelo sentido do tato e das percepções”, explicou.
Outra profissional, Débora Mello, fundadora do ateliê de cerâmica Favo de Colorir, também compartilhou sua visão sobre o trabalho manual. Para ela, o contato direto com a argila e a compreensão do processo criativo são fundamentais. “É um processo de experimentação, repetição e aceitação das imperfeições”, destacou.
“As pessoas querem objetos que tenham personalidade, que carreguem uma história e que não sejam iguais a milhares de outros”, disse Débora.
Giorgio Benedettini, luthier com 30 anos de experiência, concordou que as imperfeições tornam o trabalho mais humano e exclusivo. Ele comparou seu ofício ao de um alfaiate, ressaltando que a exclusividade e a personalização são os principais atrativos de seus instrumentos.
Ambos os profissionais concordam que a crescente valorização do trabalho manual é um reflexo do desejo dos consumidores por produtos únicos e significativos. Débora, por exemplo, utiliza as redes sociais para compartilhar seu processo de produção, criando uma conexão com o público e aumentando a percepção de valor de suas peças.
Por sua vez, o Sebrae tem se empenhado em apoiar a economia criativa, oferecendo recursos e capacitações para empreendedores de diversos segmentos, incluindo artesanato e música. O objetivo é transformar talento e criatividade em negócios sustentáveis e competitivos.



